sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
A roda de relva
(http://www.inhabitat.com/2006/07/31/grass-wheel/)
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Toldos
sábado, 23 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Belmira
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Periferia

Esta imagem, retratando uma panorâmica da nova expansão urbana da vila, recorda-me uma peripécia relatada por um dos intervenientes do programa Prós e Contras da rtp do último dia 11 de fevereiro. Uma jurista italiana quis visitar as cidades portuguesas. No fim desse roteiro que terminou numa cidade que curiosamente é património mundial (Guimarães), ela comentou que de facto sente-se que Portugal é um país cheio de história e com cidades monumentais e interessantes mas que estavam com periferias desastrosas. O jurista português que a acompanhava tentou explicar, ou desculpar este facto com o argumento de que em Portugal existia muita corrupção e especulação imobiliária ao qual ela respondeu: "mais corrupção do que em Itália vocês não têm, vocês têm é uma extrema falta de gosto".
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Arquitectura Moderna versus Centro Histórico

Ponte de Lima foi sendo pontuada nos últimos anos com obras de arquitectura marcadamente contemporânea. Refiro-me em particular à recuperação do Mercado Municipal, o novo posto de turismo e o Mercado do Gado na zona de S. João. Qualquer arquitecto que intervenha em centros históricos sabe que está perante um presente envenenado. Não é facilmente assimilado pela população um novo objecto estranho no casario antigo. No entanto, as cidades são feitas de sedimentos cronológicos e a vila de Ponte de Lima é formada por pedaços de vários séculos que foram feitos e refeitos num acto contínuo de acrescentar valor ao espaço comunitário num processo de necessidades. A realidade é que muito do que vemos no espaço do centro histórico como valor inestimável e perfeitamente integrado foi na sua época seriamente criticado. Cito como exemplo a construção do Mercado Municipal nos anos 30 sob um estilo "Português Suave" com as suas altas torres nas extremidades e que alterou a fachada ribeirinha da vila. O rasgar da Rua Cardeal Saraiva até ao rio com a demolição de algum casario setecentista e parte do Hospital da Misericórdia não terá sido pacífica. Com este pensamento, sobre o facto destas obras serem assumidamente modernas julgo que não poderiam ser de outra forma. São mais um sedimento, desta vez do princípio milénio, e que são facilmente identificáveis como tal. O modo como o "novo" se integra com o antigo é conseguído através de mecanismos próprios da competência do arquitecto (escala, proporção, materiais comuns ao restante tecido edificado ou valores históricos e da memória colectiva) mas também a criatividade do autor. A arquitectura tem como papel a resolução de problemas concretos das pessoas, da cidade. Coloca questões de forma a valorizar o objecto em causa com uma solução especial que seja simultaneamente funcional, que faça sentido e que seja obviamente materializada com uma solução esteticamente agradável e coerente. Sou assim contra a procura de um determinado arquitecto no sentido da encomenda de uma obra carismática para a cidade onde sobressaem apenas as suas características escultóricas. Não penso que tenha sido este o caso de Ponte de Lima. Nas três obras que citei reconheço-lhes qualidades arquitectónicas de arquitectos com provas dadas no panorama nacional e que procuraram responder a programas e questões concretas. Com alguma distância da sua inauguração procurarei fazer um balanço da sua presença urbana. O Mercado Municipal do arquitecto José Guedes Cruz surge da necessidade de recuperar o degradado mercado e prepará-lo para os novos tempos. Quebra com o conceito tradicional de pátio fechado onde aconteciam as trocas tornando-o mais transparente através de uma praça que se prolonga para o exterior. Concentrou a intervenção num estreito volume forrado a cobre que o insere de forma inteligente no ambiente cromático da Avenida dos Plátanos. Interessante a forma como este volume de dimensões consideráveis tem um ar efémero, parecendo facilmente desmontável. No entanto vimos definhar toda a dinâmica existente como mercado muito provavelmente por ter-se quebrado com a tipologia de pátio e o equipamento ter sido pensado para a recepção de outros eventos, talvez prevendo uma extinção no futuro como mercado. O posto de turismo do arquitecto João Álvaro Rocha, entre o Arquivo Municipal e o Paço do Marquês, surge da ideia de ligação do Largo da Lapa à cota baixa. O que inicialmente seria um projecto de arranjo urbanístico acabou num pequeno edifício de apoio ao turismo sem que o acesso ao Largo da Lapa tenha sido desenhado de forma eficaz. Porém, este equipamento tem vários pontos positivos na forma como cria novos acessos e atravessamentos ao Arquivo Municipal e ao Paço do Marquês através de um terreno estratégico. A meu ver este edifício insere-se bem no pré-existente com a sua escala e uso de materiais presentes no centro histórico. E se é verdade que o faz de uma forma egocêntrica, atraindo para si as atenções, também o faz valorizando o antigo num jogo de contraste entre gerações. No seu topo, esta intervenção oferece à vila uma belíssima praça enquadrando adequadamente a fachada sul do Paço do Marquês. Pena que para o efeito tenha-se forçado demasiado a inclinação da escarpa contígua à rampa de acesso. Por fim, temos o Mercado do Gado do arquitecto José Manuel Carvalho de Araújo. É uma obra térrea inserindo-se naquela zona predominantemente horizontal. Tem um carácter algo "bruto" na sua concepção com a utilização do betão arquitectónico de forma a responder às exigências de manutenção da actividade a que se propôs; alojamento de gado e outros animais. A lado negro que percorre estas três obras é o facto de todas estarem marcadas por uma grande ambiguidade funcional ou terem uma actividade sazonal. O Mercado Municipal não funciona eficazmente para o efeito mas também não se tem tirado partido das potencialidades daquela grande praça coberta. O Mercado do Gado, pelo contrário, tem servido de pretexto para todo o tipo de eventos. A meu ver alguns dos eventos não se compatibilizam com o espaço; é o caso das feiras do livro ou do artesanato onde me parece insólita a sua convivência num espaço de ar industrial, parca em iluminação e incapaz de rivalizar com a dinâmica da Avenida dos Plátanos. O posto de turismo está geralmente encerrado e é compreensível o desnorte quanto à função a atribuir quando a escassos metros temos o Paço do Marquês com área suficiente para albergar todas as actividades. O maior inimigo de qualquer edifício é a sua inactividade. Como sabemos hoje existe um tipo de turismo em franco crescimento que é o do roteiro das obras modernas de arquitectura como património. Ponte de Lima entrou neste roteiro com estas obras que foram bastante divulgadas e premiadas na imprensa da especialidade. Neste sentido considero uma aposta ganha da Câmara Municipal pela sua coragem em investir num tema tão sensível e sobretudo tão caro aos autarcas. A este roteiro conseguimos incluir também obras de iniciativa particular como o conjunto arquitectónico do Club de Golf, as duas casas do arquitecto Eduardo Souto de Moura, a recuperação do Mosteiro de Refóios do arquitecto Fernando Távora entre outras. Intervenções no território que credibilizam e sedimentam a urgência de uma arquitectura competente para a nossa comunidade.
Jornal Alto Minho (14-02-2008)
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Ponte de Lima

Encontrei este interessante texto sobre Ponte de Lima de uma jovem arquitecta em que nele registou a sua passagem pela vila:
ponte de lima
Para dizer como arquitectura preenche a vida. O acto de construir. Construir como acto que se inicia na concepção e termina muito depois da obra acabada. Construir como acto que se inicia antes da concepção, no envolvimento cultural com o sítio. Siza. O sítio – paradigma da nossa – minha - formação. Hoje a cultura do lugar parece que passou de moda. Agora que provavelmente ela deveria estar muito mais presente, não como a defesa contra o global, assim explicitamente defendida pelas correntes do poder, mas como algo que nos identifica globalmente, sem preconceito e sem xenofobias. Contra a tentação da marca e do comércio. Contra a afirmação do arquitecto e mais pela afirmação do construtor. Hoje saber construir significa, antes do mais, interpretar para apagar e não para marcar. Encontrar o lugar que, de um modo indelével, tem que ser tocado pela mão do homem para emanar um novo significado. Passeei em Ponte de Lima, com um rio cheio e lasso, onde se lia corrente, que teimava em contrariar a sua denominação de rio morto. O Lima estava cheio, vital. Os patos-reais deixavam-se ir ao sabor da água e levantavam voo rasante por entre as árvores e arbustos submersos pelo meio. Os pescadores, equipados e cantantes, debatiam-se com a corrente à espera das trutas. Os muros húmidos mostravam texturas e cores feitas de inertes e da vida dos líquenes, dos pequenos malmequeres, dos musgos e das violetas bravas.A água da chuva reluzia nos campos verdes e planos já sem os testemunhos das culturas tradicionais. Restam pequenos pontos brancos desenhados pela flor da couve galega e a amarela dos grelos e dos hortos. Os muros também eram ruínas. O tempo parou por entre os nossos passos contínuos ao longo da margem debaixo do olhar cirúrgico de arquitectos… e não só. Porque neste não só, estará o limite para aquilo que o arquitecto anseia fazer, marcar o lugar. Estará o bom senso de nos entendermos enquanto prolongamento do natural, culturalmente moldados, para dele sabermos colher toda a sua força vital.Maria
http://conta-mina.blogspot.com/2006/03/ponte-de-lima.html
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Vinha
Mesmo ao lado da ponte romana, os tradicionais esteios de granito substituídos por esteios de betão...
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Clarabóia

O prédio que alberga a Pastelaria Princesa e o Restaurante "Celeiro" será transformado num hotel de quatro estrelas. Um dos prédios mais interessantes do centro histórico será finalmente restaurado para uma função que esperemos que o dignifique. Apreensivo com a futura recuperação deixo registado neste blog a sua clarabóia.
André da Rocha

Numa das minhas pesquisas cibernáuticas fiquei surpreendido com a existência de uma pequena cidade com o meu nome no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. A história diz-nos que o nome é uma homenagem ao primeiro juiz comendador da comarca, o Dr. Manoel André da Rocha (1860-1942) que participou activamente na defesa do município que se tinha tornado reduto republicano durante a Revolução de 1893. Segundo a wikipédia, os andré da rochenses contam com 1260 habitantes e 329,736 km2 de área. A foto corresponde a um cartaz anunciando a 7ºa exposição de agro-pecuária na cidade que decorreu em 2007.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Violoncelo
Se passearmos pelo centro histórico da vila de olhos voltados para o último piso dos prédios podemos ser surpreendidos com pequenos pormenores. Este é um curioso elemento arquitectónico em forma de violoncelo na transição entre duas águas furtadas . Para os menos atentos isto acontece na travessa entre a Rua da Abadia e Rua da Matriz mesmo contígua à igreja.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Sócrates
O primeiro-ministro que tanto esforço dispensou para termos em Portugal cidades com mais qualidade de vida e ambiental (Programa Polis), admirador confesso do arquitecto Álvaro Siza Vieira; José Sócrates demonstra nesta obra supostamente projectada por ele próprio, o seu bom gosto e contributo valioso para a sua cidade natal.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Neptuno
Concordo com o estacionamento público criado em S.João inserido no conjunto do Mercado do Gado e dando continuidade a uma correcta politica de localização de parqueamento nos limites do centro histórico.
O muro que delimitava a rua que interligava a rua do Arrabalde à capela de S.João desapareceu. Por serem construções frágeis, o sistemas murados são ainda hoje subestimados como património a valorizar. No entanto é um elemento tão presente e dominador na paisagem urbana e rural do Minho. Como delimitador de um eixo, o muro contém o mesmo poder de reforçar um eixo do que um conjunto de edifícios construídos sobre esse mesmo eixo. A fonte de Neptuno constitui por si só um valor patrimonial e artístico inegável, porém esta não pode ser lida isoladamente. A fonte estava enquadrada por este percurso conformado por dois altos muros sem atravessamentos laterais e que conferiam elevada carga visual à fonte como remate cénico.
Para além deste motivo, julgo que este percurso continha um valor histórico que foi descurado. É por aqui que se inicia a tradicional corrida da Vaca-das-Cordas em direcção ao centro da vila, e onde os mais corajosos corriam ininterruptamente entre muros até dispersarem na capela de S. João.
Obviamente estes aspectos não foram salvaguardados pela autarquia aquando o acompanhamento do projecto. Esta questão seria facilmente resolúvel se o muro fosse reconstruído ou reconstituído rasgando acessos pontuais, e desta forma não desfazendo por completo este percurso consolidado.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Arnado
A dessacralização do cemitério

O cemitério de Ponte de Lima foi inaugurado em 1879 depois de uma longa campanha que visava a consciencialização da sociedade para o enterro dos falecidos fora da malha urbana. Normalmente a população era sepultada nas igrejas ou no espaço exterior a estas. Uma visão mais higienista do séc.XIX aliada à extinção das ordens religiosas e nacionalização dos respectivos bens. Depois de muita resistência por parte da população este “campo sagrado” foi construído numa pequena colina situado nos terrenos do extinto Convento dos Frades de Santo António.
O local do repouso eterno está assim numa plataforma elevada isolado por densa vegetação. Acessamos através de um curioso caminho ladeado por muros enegrecidos pontuados por cruzeiros que serpenteiam a encosta e que conferem uma elevada carga poética ao percurso de aproximação. Na chegada, uma pequena praça conformada pelo muro do cemitério e dois pequenos edifícios simétricos acrescenta um valor cívico onde as pessoas se encontram para fazerem uma reflexão da morte contemplando ao fundo a vila e a paisagem que a envolve.
Parte desta descrição já não faz sentido no presente dia. Quando julgávamos que aquele local era “sagradamente” intocável, vimo-lo a ser descaracterizado na última década. Primeiro com o licenciamento de moradias que se implantam na encosta e que têm como serventia o antigo acesso ao cemitério. O “anel verde” que rodeava o cemitério vai sendo assim gradualmente quebrado. A situação agrava-se quando se rompe parte do acesso para o interligar com uma nova superfície comercial, alargando, alcatroando e portanto, quebrando a força que este percurso tinha na aproximação ao cemitério.
Penso que a integridade desta encosta do cemitério deveria ter sido minimamente preservada pelo seu valor histórico, patrimonial e paisagístico. Deveria ter sido encarada como espaço abrangido ainda pelo centro histórico e que consolidaria uma das entradas da vila protegendo-a do impacto das vistas cada vez mais indesejadas. Assistimos ao crescente convívio de moradias com outros tipos de infra-estruturas e nem sempre de forma bem sucedida. É preferível hierarquizar as funções dentro de um mesmo espaço urbano para que este seja facilmente apreendido pela população ou seja, de fácil leitura na estrutura urbana. Neste caso o que estava sedimentado na memória dos limianos como a “colina do cemitério” deixou de o ser.
As obras estão no local para continuar. Esperemos agora que o tempo dê razão ao argumento de utilidade pública a que se propôs. Já assistimos a várias intervenções promovidas ou patrocinadas pela autarquia que, sob este argumento de necessidade pública, lotearam e sacrificaram a área circundante à Avenida dos Plátanos e que com esta distância temporal ainda não conseguimos aperceber-nos da mais-valia resultante para os limianos.
Publicado no Jornal Alto Minho 24-01-2008














