"ausência de alinhamentos; fraca inserção de tecido construído na encosta verde destruindo irreversivelmente a mesma; tratamento do espaço público cumprindo apenas a legislação urbana; inexistência de uma coerência formal e conceptual entre os vários empreendimentos.."
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Caos
"ausência de alinhamentos; fraca inserção de tecido construído na encosta verde destruindo irreversivelmente a mesma; tratamento do espaço público cumprindo apenas a legislação urbana; inexistência de uma coerência formal e conceptual entre os vários empreendimentos.."
domingo, 22 de junho de 2008
Fundação Iberê Camargo



Foi recentemente inaugurada a Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre no Brasil do arquitecto português Álvaro Siza. É sem dúvida uma obra de referência na arquitectura contemporânea de um arquitecto que soube reinventar-se dentro de uma carreira e uma "doutrina" muito própria e que conta já meio século. É o primeiro edifício do arquitecto a ser construído em território brasileiro e tem como finalidade albergar obras do pintor gaúcho Iberê Camargo. Ainda em construção recebeu o prémio "Leão de Ouro" na Bienal de Veneza de 2002. Obra que redesenha a encosta verde através de um jogo formal que remete para uma escola brasileira de arquitectura alicerçada em nomes como Oscar Niemeyer ou Lina Bo Bardi. A obra está concluída e apesar de marcar uma nova e estimulante etapa na obra de Siza não deixa de ser facilmente identificável.
fotos: Fernando Guerra
www.ultimasreportagens.com
sábado, 14 de junho de 2008
Café



Ao vasculhar fotos de família encontrei esta lindíssima foto do princípio da década de 70 retratando a rua do Postigo com o extinto Café Guerra como remate. Contraponho uma foto actual. Para além das evidentes mudanças em todo o ambiente social, de uma certa vida em sociedade que fervilhava no seio do centro histórico, procurarei analisar algumas transformações urbanísticas.
A primeira situação refere-se à forma publicitária. Era vulgar, em meados do século passado, publicitar os estabelecimentos através da pintura no próprio reboco através de um lettering ao gosto da época (tal como acontece com o Restaurante Catrina no Passeio 25 de Abril). Assistimos na última década a alguma indiferença em relação ao "apagar” desta memória. Anteriormente a esta última remodelação, em meados dos anos 90, já o lettering havia sido coberto de tinta para passar a chamar-se “Café Snack-Bar Ideal” através de um anúncio luminoso procurando esconder qualquer memória que remetesse para uma tradição de tasca popular. Desta forma elogio a forma como aconteceu a remodelação do prédio da antiga “Casa Pimenta” no Largo da Matriz que conservou o lettering original apesar da permanência de uma outra actividade.
O outro aspecto que ressalta é a utilização de um diferente sistema de caixilharia e adição de guarda de ferro, através de portadas duplas de vidro único e não o sistema de guilhotina desvirtuando o desenho da fachada. Isto não seria gravoso se a Rua da Matriz e Rua do Postigo não fossem tão fortemente caracterizadas pela unidade no desenho varandas e no desenho de janelas em guilhotina em pequenas quadrículas de vidro.
domingo, 8 de junho de 2008
domingo, 1 de junho de 2008
Santo Ovídio


O miradouro de Santo Ovídio, onde podemos observar em plenitude o concelho de Ponte de Lima a perder-se no horizonte continua, apesar dos esforços de requalificação, com a criação de um parque de merendas e melhores acessos, aquém das suas potencialidades. Este miradouro, apesar de ter características diferentes do miradouro do Monte da Madalena pela escala, vegetação, rudeza e topografia mais acidentada, é daqui que podemos, em minha opinião, obter a melhor panorâmica.
Ao longo da sua história nunca recebeu o mesmo tratamento depositado no Monte da Madalena. Foi utilizado como base de antenas várias e onde nem a capela escapa. As condições para a uma subida confortável estão criadas assim como a boa sinalização de que goza (na confluência de vias de acesso à vila). Contendo vários motivos de interesse patrimonial e imaterial como a antiquíssima capela, castros, sepulturas, as festas anuais e obviamente a vista, talvez esteja na altura de Arcozelo apostar num parque-miradouro que possa retirar o seu verdadeiro potencial. Como é difícil fixar o visitante apenas através das vistas, torna-se essencial a criação de condições através da oferta de um pequeno equipamento (bar/restaurante panorâmico, etc.), tratamento do espaço exterior enquadrando o núcleo da capela de forma mais equilibrada e sobretudo a deslocalização ou suavização do impacto das antenas.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Archipel

Archipel é uma empresa belga que se dedica à divulgação de arquitectura mundial através da organização de viagens guiadas e a publicação de boletins periódicos. Há cerca de dois meses fui contactado no sentido de poder fornecer mais informações sobre e existência de arquitectura moderna no concelho. Ponte de Lima estava inserida numa visita a realizar entre Espanha e Portugal. O album fotográfico resultante desta excursão pode ser visto aqui. É uma prova da importância de Ponte de Lima na rota na arquitectura moderna.
domingo, 18 de maio de 2008
Casa entre-muros

1.pequeno nicho religioso2.búzios pintados de azul incustrados na parede
3.cruz desenhada com pequenos mosaicos sanitários

Esta modesta casa situada próxima da Capela das Pereiras num estreito caminho entre muros limites da Quinta da Casa de Aurora é o exemplo da criatividade a baixos custos e dedicação do seu último morador. Sendo obviamente discutível o seu gosto não passa indiferente a quem por ela passa. Hoje esta pequena moradia que se confunde com o próprio muro não tem a manutenção impressa pelo proprietário entretanto falecido, no entanto aqui fica registado o seu empenho.
O grande licenciador
O grande licenciador
Em resultado do enquadramento legal que envolve a prática da arquitectura em Portugal discute-se muito quem pode afinal fazer arquitectura?
O tema é extenso e por certo relevante. Mas este debate não se faz acompanhar de um outro que talvez valesse a pena começar a dramatizar: quem licencia essa arquitectura? E como?
As Câmaras Municipais têm a seu cargo o exercício do licenciamento de projectos de arquitectura. Assim, os trabalhos de arquitectura promovidos pelos cidadãos são sujeitos ao escrutínio estatal, com vista a apreciar se estão em conformidade com as regras urbanísticas e edificatórias em vigor.
O que isto significa é que o acto do licenciamento desempenha uma função jurídica. A autoridade conferida aos organismos licenciadores do Estado resulta de se suportar em regras que estão devidamente inscritas na legislação e publicadas enquanto tal. Caso contrário, estaríamos na presença de um acto discricionário, ao sabor do entendimento pessoal e subjectivo de cada técnico ou entidade que exerce essa função.
Um dos graves problemas – diria mesmo dramas – de produzir arquitectura em Portugal resulta da fraca cultura institucional das Câmaras Municipais e demais organismos do Estado sobre o significado do serviço público que deviam exercer. A falta de rigor jurídico, o incumprimento de prazos legais de tramitação processual, a falta de objectividade em relação ao que é essencial e acessório no que respeita aos interesses públicos e privados em presença, resultam num verdadeiro atentado à actividade económica e ao espaço de liberdade individual dos cidadãos. Resultado dessa cultura institucional débil, o cidadão acaba por ser confrontado com pareceres técnicos que misturam factos jurídicos com asserções de dimensão completamente pessoal e subjectiva, do entendimento do técnico individual ou do colectivo institucional que exerce a autoridade de licenciamento.
Devia reflectir-se seriamente sobre o que está aqui em causa. Já será negativo que em certas instituições se cultive um culto de rigor que é, em boa verdade, a mais cega e estrita interpretação possível da legislação. Mas quando este exercício recai para o terreno da completa indistinção entre legal e opinativo, entre o objectivo e o subjectivo, as consequências tornam-se ainda mais graves. Licenciar torna-se assim o mais discricionário exercício de autoridade à mercê dos seus técnicos e dos seus caprichos. Quando o seu zelo não se faz acompanhar de cultura arquitectónica ou saber técnico (histórico, patrimonial ou qualquer outro), os cidadãos vêm-se sujeitos às mais irrelevantes asserções e imposições sobre beirados, alisares, cores locais e essa anedota que dá pelo nome de traça original.
É muito importante que se compreenda de forma inequívoca que a autoridade dos agentes do Estado resulta da inscrição das suas disposições em suporte legal. Quando não estão em presença valores devidamente identificados e regulamentados, a sua actuação casuística e caprichosa faz resvalar essa autoridade para um exercício ilegítimo, sem transparência e, mais grave ainda, sem validade legal. Uma situação que promotores musculados poderão rebater facilmente com suporte jurídico, mas a que cidadãos e profissionais, por desconhecimento ou receio de retaliação, se acabam muitas vezes por submeter.
A reflexão importante que deveria fazer-se em torno do que serão boas práticas de licenciamento será inútil se realizada com mero intuito de culpabilização dos seus agentes. É certo que o Estado se debate com problemas de qualificação técnica e humana, de organização, metodologias e meios. E que a nebulosa cacofónica de legislação do sector torna o trabalho de licenciamento um pesadelo para os técnicos directamente envolvidos. O que está em causa, verdadeiramente, é a urgência em inscrever no Estado uma doutrina de qualidade. A instituição de uma cultura de serviço público e a compreensão de que as más práticas têm como consequência um pesado prejuízo colectivo e o desrespeito pelos direitos individuais dos cidadãos. A cegueira em afrontar este problema terá como resultados, de simplex em simplex, a perda de autoridade dos agentes estatais e, por fim, a desregulamentação total.
sábado, 17 de maio de 2008
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Entrada da vila

Entrada na vila no principio dos anos 70 com o Palacete Villa Moraes em pano de fundo. Interessante a percepção de como o já raro património de sinalização de localidades pertencente às Estradas Nacionais de Portugal era esteticamente mais interessante e sobretudo mais claro do que a actual confusão sinalizadora à entrada das nossas urbes.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Ruína


Este interessante prédio na Rua do Postigo, provavelmente o mais antigo da rua como denuncia o rés-do-chão em pedra com um alinhamento de rua anterior ao actual e o balcão dos pisos superiores avançando em madeira sobre o passeio, começa a dar sinais de ruína eminente. Esperemos que um dos poucos exemplares de arquitectura em madeira existentes no centro histórico não desapareça irremediavelmente.
segunda-feira, 5 de maio de 2008
terça-feira, 29 de abril de 2008
Reparo - Cemitério

Quando escrevi o artigo chamado "a dessacralização do cemitério" chamaram-me a atenção para um pormenor que por descuido não mencionei. O muro do cemitério, onde hoje está desenhada uma linha amarela de proibição de estacionamento, era pontuada por cruzeiros provenientes do calvário demolido entre o Largo da Lapa e o início da Rua do Pinheiro. Aqui fica questão da mesma forma que me foi formulada: "Onde param os cruzeiros do cemitério?"
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Integração
Muito se tem discutido sobre a inserção equilibrada de novas arquitecturas em tecidos urbanos consolidados. É um dos temas mais caros à arquitectura. Uns optam pela integração pela aposta na diferença, assumindo claramente essa modernidade (é o caso do posto de Turismo ou do Mercado Municipal em Ponte de Lima); outros apostam pela integração através de uma leitura cuidada dos vários elementos comuns que se repetem uniformemente pelo espaço urbano. É o caso desta intervenção em Lisboa entre a Baixa e o Chiado do arquitecto Álvaro Siza Vieira. O vazio existente no local foi "preenchido" com uma solução que dialoga com o ambiente arquitectónico envolvente de forma silenciosa mas que em simultâneo não deixa de explorar uma certa contemporaneidade. Estas foram as raízes geradoras do projecto.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Teatro

Através do blog "Parar para Pensar" tomei conhecimento da vontade do município em adquirir o edifício da Santa Casa da Misericórdia em frente ao teatro Diogo Bernardes com o objectivo de criar uma praça em frente ao mesmo. Tradicionalmente os teatros municipais eram construídos dentro do tecido urbano, conformados por uma praça ou então eram a oportunidade de enobrecer um determinado local. Não foi o caso do nosso teatro. O terreno gentilmente cedido por João Rodrigues de Morais para a sua construção situava-se já na época nos limites do centro histórico e com uma entrada excessivamente próxima do trânsito. Parece-me uma excelente ideia o alargamento da plataforma pedonal defronte do teatro criando mais conforto e uma entrada mais atractiva de forma a resolver um problema de raiz na implantação deste edifício. Apenas guardo algumas reservas em relação ao destino do edifício que se situa em frente ao teatro e a sua fachada de grandes portões em forma de arco e que me parece ter algum interesse.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Recuperação em Brandara - Ponte de Lima

plantas piso -1/ piso 0/ piso 1Excerto da memória descritiva:
"A habitação, presentemente em estado de ruína, situa-se numa freguesia eminentemente
rural do concelho de Ponte de Lima. Nos últimos anos, a construção de um aterro consequente de um túnel de uma auto-estrada reduziu o terreno envolvente à ruína.
O programa proposto refere-se à recuperação da ruína dedicando-a ao turismo rural.
Não oferecendo a habitação muitos dados em relação aos seus elementos originais, devido ao elevado estado de degradação, o estudo da arquitectura vernácula da região levou-nos a sintetizar determinadas características comuns. As casas rurais do Alto Minho respondiam às necessidades dos agricultores com o piso térreo a servir de adega, espaço para o lagar, gado ou armazenamento das alfaias agrícolas. No piso superior situavam-se as dependências habitáveis como a sala, cozinha e quartos. Em alguns casos , o piso superior albergava também um espaço ventilado de armazenamento de milho. Isto acontecia através de uma fachada com um sistema ripado em madeira semelhante aos espigueiros. Esta situação acontecia originalmente nesta habitação em estudo. Infelizmente são raros os casos que chegaram aos nossos dias devido à sua fragilidade construtiva.
As necessidades actuais são outras assim como as exigências de conforto.
Optamos por direccionar a intervenção no sentido de recuperar toda a estrutura em pedra tal como ela chegou aos nossos dias e reconstituir a volumetria do edifício com a sua varanda e marquise originais assim como a reposição dos pilares de pedra que a sustentam. Evocamos assim as características tradicionais do edifício não nos comprometendo com a história. Na impossibilidade de recuperar todos as características originais, a intervenção terá pontualmente soluções construtivas mais contemporâneas mas que se relacionem harmoniosamente com o conjunto global. Desta forma assumimos a modernidade sem cairmos no erro de reconstituir os elementos falaciosamente. De uma forma geral o projecto privilegiará os materiais de construção tradicionais como a pedra a madeira e o ferro.
O acesso à casa poderá ser efectuado através de dois pontos. O primeiro, pela entrada original e o segundo pelo estacionamento a ser criado a norte da casa. Este último sugerirá um percurso através do alpendre que se abre para os lados norte e sul. Ambos os percursos levarão ao piso térreo da casa onde se localizará uma pequena recepção ao turista.
No piso térreo, para responder a um programa flexível e simultaneamente resolver o problema da escassez de área e de luminosidade, considerou-se relevante evidenciar, segundo novos propostos e novas soluções formais, a simplicidade das soluções espaciais, a fácil leitura das funções e interligação das áreas. Apesar deste espaço ser iluminado pelas aberturas originais como as duas portas existentes, achamos não ser suficiente para o espaço da cozinha. Desta forma, este espaço será ainda servido por uma clarabóia e uma janela do piso superior.
Este espaço único alberga também as comunicações verticais e a sala de jantar. No piso superior, três quartos e um escritório convertível noutro quarto são servidos por uma galeria/varanda com portadas duplas em ripas de madeira evocando a fachada original. Esta varanda tem acesso ao pátio exterior virado a sul através das escadas de pedra existentes.
A área no interior da ruína é escasso para o programa exigido. Optamos por anexar a sala de estar a um volume novo. Uma espécie de plataforma solo que compreende também a piscina e os balneários de apoio. É um volume com pouca presença acima do solo de forma a não perturbar a volumetria geral do volume antigo."
André Rocha
sábado, 12 de abril de 2008
blog
Achei curioso o facto de um blog de nacionalidade espanhola dedicado à arquitectura e fotografia tenha utilizado o edifício do novo posto de turismo do arquitecto João Álvaro Rocha como layout da página.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
que futuro?


O edifício da Transformadora Industrial do Norte (preparação de minérios), há vários anos ao abandono, espera por uma revitalização que dignifique a sua história. O imóvel, pela sua qualidade arquitectónica, localização privilegiada no lindíssimo Largo da Freiria e jardim anexo carregado de potencialidades, assume-se como uma oportunidade dinamizadora que a vila de Arcozelo não deverá subestimar.










