A construção de um hotel no antigo terreno correspondente à demolição do antigo Restaurante Tropical é para mim surpreendente quando julgava significar um ponto final na capacidade construtiva daquela área. Supostamente foi negociada uma permuta de terrenos com os empreendedores e desta forma a população saudou a preservação de uma paisagem que na época caracterizava-se pela horizontalidade dos antigos terrenos pertencentes ao Convento dos Terceiros, a linha de plátanos e a transição para as encostas do cemitério. O apelidado "comboio", pouco dotado arquitectonicamente, tinha a vantagem de localizar o seu maior indíce construtivo junto à estrada confrontante. Para suavizar o seu impacto negativo, e numa atitude de "limpar" o erro, foi levantada uma "muralha" de árvores esguias que o camuflassem; e que ridiculamente parecia a solução para todos os males urbanísticos. Aparentemente a construção do hotel em causa aumentou a sua capacidade construtiva nesse lote, avançando sobre a Avenida dos Plátanos contrariamente ao inicial complexo da década de noventa. Esta situação da localização de dois equipamentos volumetricamente dispares faz questionar se não seria preferível a continuação do comboio, que concentraria num só volume adossado à estrada e com o devido afastamento da linha dos plátanos, do que a multiplicação de complexos construtivos que obviamente causarão mais ruído visual. No entanto não conheço o projecto do hotel. Espero que seja sensível às características paisagisticas e patrimoniais que o envolvem de forma a que seja um mais-valia para a vila, respondendo às novas exigências de alojamento turístico. Concluindo, que seja uma nova peça na paisagem limiana que consolide e identifique harmoniosamente a entrada na vila, sem necessidades de camuflagens futuras..
domingo, 24 de agosto de 2008
Hotel Guia
A construção de um hotel no antigo terreno correspondente à demolição do antigo Restaurante Tropical é para mim surpreendente quando julgava significar um ponto final na capacidade construtiva daquela área. Supostamente foi negociada uma permuta de terrenos com os empreendedores e desta forma a população saudou a preservação de uma paisagem que na época caracterizava-se pela horizontalidade dos antigos terrenos pertencentes ao Convento dos Terceiros, a linha de plátanos e a transição para as encostas do cemitério. O apelidado "comboio", pouco dotado arquitectonicamente, tinha a vantagem de localizar o seu maior indíce construtivo junto à estrada confrontante. Para suavizar o seu impacto negativo, e numa atitude de "limpar" o erro, foi levantada uma "muralha" de árvores esguias que o camuflassem; e que ridiculamente parecia a solução para todos os males urbanísticos. Aparentemente a construção do hotel em causa aumentou a sua capacidade construtiva nesse lote, avançando sobre a Avenida dos Plátanos contrariamente ao inicial complexo da década de noventa. Esta situação da localização de dois equipamentos volumetricamente dispares faz questionar se não seria preferível a continuação do comboio, que concentraria num só volume adossado à estrada e com o devido afastamento da linha dos plátanos, do que a multiplicação de complexos construtivos que obviamente causarão mais ruído visual. No entanto não conheço o projecto do hotel. Espero que seja sensível às características paisagisticas e patrimoniais que o envolvem de forma a que seja um mais-valia para a vila, respondendo às novas exigências de alojamento turístico. Concluindo, que seja uma nova peça na paisagem limiana que consolide e identifique harmoniosamente a entrada na vila, sem necessidades de camuflagens futuras..
Santo Ovídio II


"Distinguem-se nos cumes dos montes, subsistindo porventura na devoção dos povos qualquer remota crença, herança dos seus antepassados pré-históricos; permanecem abandonados todo o ano, para no dia do seu orago se animarem com o festivo movimento dos peregrinos e entusiastas da paisagem, do espectáculo das gentes e do bom farnel"
Capela de Santo Ovídio em "Arquitectura Popular em Portugal", volume Minho-Douro Litoral
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Ponte do Lima (1934)
Links:
Cinema Português - cronologia 1935
The Internet Movie Database
sábado, 9 de agosto de 2008
Nova Biblioteca
A localização prevista, no local da actual escola primária, parece-me uma escolha certeira, localizando-se assim no eixo das escolas e simultaneamente fazendo charneira com o centro histórico. As novas bibliotecas municipais construídas nos últimos anos em cidades portuguesas são caracterizadas pela sua multi-funcionalidade assumindo-se como um pólo de dinamização cultural, abrangendo auditório para conferências, espaço exterior preparado para eventos, galeria municipal e cafetaria/Bar-concerto. Deixo alguns exemplos:

A 9 de Maio de 2005 foi inaugurado o edifício da nova Biblioteca e ”Centro Cultural”, da autoria do arquitecto Alcino Soutinho, passando assim a funcionar neste local a Biblioteca Municipal Florbela Espanca, a Galeria Municipal e o Arquivo Histórico. A transferência para este espaço permite oferecer aos utilizadores e funcionários da Biblioteca, espaço e condições de fruição dos serviços e de realização de outras actividades, e também de condições de trabalho que já se tinham tornando bastante limitadas no edifício do Palacete de Trevões. Assim, a Biblioteca Florbela Espanca, objectiva a adaptação a uma nova realidade, melhorando os serviços prestados à população e tornando-se o centro de uma rede concelhia, através do projecto de criação de pólos de leitura nas diversas freguesias, compromisso assumido com a assinatura do contrato-programa com o IPLB de apoio a construção e montagem da biblioteca.

A lindíssima biblioteca de Viana do Castelo, inaugurada em Janeiro de 2008 foi desenhada pelo arquitecto Siza Vieira junto ao Rio Lima e dotou a cidade de novas instalações bibliotecárias.
No piso superior da nova infra-estrutura ficam as três salas principais, designadamente a Sala Luís de Camões, voltada ao rio, que está apetrechada com uma mesa oval em bétula com 32,5 metros de perímetro.
Localizado no extremo nascente da nova Praça da Liberdade, a biblioteca é constituída por um volume elevado de cerca de 1850 metros quadrados, com um vazio central, no piso térreo, permitindo a vista sobre o rio Lima a quem se encontra a norte da estrutura obtida pela elevação do primeiro andar. Contempla uma sala de trabalho, secção multimédia, vídeo e áudio, várias zonas de leitura, uma área para o Centro de Informação e Documentação Europeia, e outra para auto-formação de adultos e aprendizagem à distância.
Os mais novos contam também com um espaço próprio, que não colide com a restante área de leitura, com uma sala do conto, atelier de expressão e zonas de leitura própria.
Projectada pelo arquitecto José Manuel Soares e inaugurada em 2001, a biblioteca municipal Almeida Garrett está inserida no espaço do Palácio de Cristal. Foi projectada para ter um ambiente informal e acolhedor que facilite a consulta e requisição dos livros. É um espaço de informação e lazer. A biblioteca tem várias secções em função das necessidades e interesses do público: infantil e juvenil, periódicos, leitura geral e, no piso inferior, a multimédia.
Por dia há uma média de 500 a 700 pessoas a frequentar a Biblioteca Almeida Garrett.
A maioria das pessoas procura livros. A biblioteca disponibiliza também 40 computadores para acesso à internet. Contém auditório para conferências.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
O prédio mais estreito


A sina deste prédio recorda-me o drama do prédio mais estreito da Europa localizado em Lisboa e que, com o seu 1,60m entre paredes, não conseguiu escapar à sentença de demolição. Situado no quarteirão entre a Rua do Rosário e o Largo da Feira, este imóvel será o mais estreito proporcionalmente à sua altura dentro do perímetro do centro histórico. Esta singularidade era originalmente mais acentuada até à criação do Largo da Feira que, por volta de 1930, veio soterrar o piso térreo a todos os prédios voltados ao rio. Perdeu-se assim um dos acontecimentos urbanísticos mais interessantes da vila com um jogo de circulações desniveladas em que a ponte medieval ligava directamente ao Largo de Camões e paralelamente a este, o actual Passeio 25 de Abril processava-se sob a ponte medieval fazendo uma transição mais equilibrada para a Avenida de S. João. Uma forma mais inteligente de aproveitamento das potencialidades dos arcos da ponte; actualmente úteis simplesmente ao sombreamento de automóveis.
Tipologicamente este tipo de prédio de planta estreita, alongada e com vãos doseados constituem interessantes casos de estudo na forma como é resolvido o programa da habitação de carácter tão compacto e "ginasticado". Actualmente encontra-se em ruína.
quarta-feira, 16 de julho de 2008
Janela

Este modesto prédio situado na Rua das Neves incluído no conjunto de protecção da Zona das Pereiras em Ponte de Lima foi alvo de uma recente intervenção que lhe minimizou certas características. Como é referido na obra "Ponte de Lima- Uma vila histórica no Minho" coordenado pelo Prof. Doutor Carlos Brochado de Almeida, este prédio tinha a singularidade de ter "reciclado" uma janela dupla de feição gótica, muito provavelmente de origem medieval, num aproveitamento de uma outra moradia ou igreja. O restauro optou por rebocar na totalidade as suas paredes exteriores, sobretudo a parede da janela gótica que era formada com pedra bem aparelhada (da qual não consegui obter uma foto antiga). A janela gótica sofreu um duro golpe quando adicionaram um beiral em pedra que escondeu os seus arcos quebrados. Procedimentos que nos relembram a urgência de uma protecção mais eficaz e prioritária para uma zona cada vez mais esquecida da vila.
domingo, 6 de julho de 2008
Maluda

A certa altura descobri esta serigrafia exposta numa feira de usados em Coimbra. Rapidamente reconheci Ponte de Lima nesta panorâmica. Assinado pela pintora Maluda (1934-1999), imaginei que pudesse pertencer a uma série dedicada a vilas e cidades portuguesas. No site dedicado à sua vida e obra podemos verificar as características desta serigrafia que foi executada em 1978. Pertence à série "Paisagens 1976-1980"
Sobre Maluda:
Os quadros que pintava eram baseados principalmente nas cidades , nomeadamente na pintura de paisagens urbanas, janelas e vários outros elementos arquitectónicos. A notoriedade das suas obras pictóricas aparentemente mais simples (algumas utilizadas em selos oficiais por encomenda dos Correios portugueses), ao mesmo tempo que a promovia a uma das mais populares pintoras portuguesas das últimas décadas do século XX artístico português, também teve o efeito negativo de encobrir uma vasta obra de criação gráfica mais complexa.
Na sua carreira, Maluda efectuou 24 exposições individuais e está representada em vários museus, entre os quais os da Fundação Calouste Gulbenkian e do Centro Cultural de Belém mas também em várias colecções particulares em Portugal e noutros países.
fonte: wikipediasábado, 28 de junho de 2008
Creche na cidade de Prato-Itália




A Câmara Municipal de Prato (próximo da cidade de Florença) lançou um concurso público aberto a arquitectos profissionalmente qualificados de países da Comunidade Europeia que visava escolher dois projectos preliminares para duas creches a localizar em duas zonas distintas da cidade (Ponzano e Galcetello). Foram recepcionados 212 propostas, 136 para a zona de Galcetello e 76 para a zona de Ponzano. O júri foi presidido pelo arquitecto Herman Hertzberger. André Rocha e António Ildefonso alcançaram o terceiro prémio para o terreno em Ponzano.
links: http://www.comune.prato.it
http://www.archiportale.com
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Caos
"ausência de alinhamentos; fraca inserção de tecido construído na encosta verde destruindo irreversivelmente a mesma; tratamento do espaço público cumprindo apenas a legislação urbana; inexistência de uma coerência formal e conceptual entre os vários empreendimentos.."
domingo, 22 de junho de 2008
Fundação Iberê Camargo



Foi recentemente inaugurada a Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre no Brasil do arquitecto português Álvaro Siza. É sem dúvida uma obra de referência na arquitectura contemporânea de um arquitecto que soube reinventar-se dentro de uma carreira e uma "doutrina" muito própria e que conta já meio século. É o primeiro edifício do arquitecto a ser construído em território brasileiro e tem como finalidade albergar obras do pintor gaúcho Iberê Camargo. Ainda em construção recebeu o prémio "Leão de Ouro" na Bienal de Veneza de 2002. Obra que redesenha a encosta verde através de um jogo formal que remete para uma escola brasileira de arquitectura alicerçada em nomes como Oscar Niemeyer ou Lina Bo Bardi. A obra está concluída e apesar de marcar uma nova e estimulante etapa na obra de Siza não deixa de ser facilmente identificável.
fotos: Fernando Guerra
www.ultimasreportagens.com
sábado, 14 de junho de 2008
Café



Ao vasculhar fotos de família encontrei esta lindíssima foto do princípio da década de 70 retratando a rua do Postigo com o extinto Café Guerra como remate. Contraponho uma foto actual. Para além das evidentes mudanças em todo o ambiente social, de uma certa vida em sociedade que fervilhava no seio do centro histórico, procurarei analisar algumas transformações urbanísticas.
A primeira situação refere-se à forma publicitária. Era vulgar, em meados do século passado, publicitar os estabelecimentos através da pintura no próprio reboco através de um lettering ao gosto da época (tal como acontece com o Restaurante Catrina no Passeio 25 de Abril). Assistimos na última década a alguma indiferença em relação ao "apagar” desta memória. Anteriormente a esta última remodelação, em meados dos anos 90, já o lettering havia sido coberto de tinta para passar a chamar-se “Café Snack-Bar Ideal” através de um anúncio luminoso procurando esconder qualquer memória que remetesse para uma tradição de tasca popular. Desta forma elogio a forma como aconteceu a remodelação do prédio da antiga “Casa Pimenta” no Largo da Matriz que conservou o lettering original apesar da permanência de uma outra actividade.
O outro aspecto que ressalta é a utilização de um diferente sistema de caixilharia e adição de guarda de ferro, através de portadas duplas de vidro único e não o sistema de guilhotina desvirtuando o desenho da fachada. Isto não seria gravoso se a Rua da Matriz e Rua do Postigo não fossem tão fortemente caracterizadas pela unidade no desenho varandas e no desenho de janelas em guilhotina em pequenas quadrículas de vidro.
domingo, 8 de junho de 2008
domingo, 1 de junho de 2008
Santo Ovídio


O miradouro de Santo Ovídio, onde podemos observar em plenitude o concelho de Ponte de Lima a perder-se no horizonte continua, apesar dos esforços de requalificação, com a criação de um parque de merendas e melhores acessos, aquém das suas potencialidades. Este miradouro, apesar de ter características diferentes do miradouro do Monte da Madalena pela escala, vegetação, rudeza e topografia mais acidentada, é daqui que podemos, em minha opinião, obter a melhor panorâmica.
Ao longo da sua história nunca recebeu o mesmo tratamento depositado no Monte da Madalena. Foi utilizado como base de antenas várias e onde nem a capela escapa. As condições para a uma subida confortável estão criadas assim como a boa sinalização de que goza (na confluência de vias de acesso à vila). Contendo vários motivos de interesse patrimonial e imaterial como a antiquíssima capela, castros, sepulturas, as festas anuais e obviamente a vista, talvez esteja na altura de Arcozelo apostar num parque-miradouro que possa retirar o seu verdadeiro potencial. Como é difícil fixar o visitante apenas através das vistas, torna-se essencial a criação de condições através da oferta de um pequeno equipamento (bar/restaurante panorâmico, etc.), tratamento do espaço exterior enquadrando o núcleo da capela de forma mais equilibrada e sobretudo a deslocalização ou suavização do impacto das antenas.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Archipel

Archipel é uma empresa belga que se dedica à divulgação de arquitectura mundial através da organização de viagens guiadas e a publicação de boletins periódicos. Há cerca de dois meses fui contactado no sentido de poder fornecer mais informações sobre e existência de arquitectura moderna no concelho. Ponte de Lima estava inserida numa visita a realizar entre Espanha e Portugal. O album fotográfico resultante desta excursão pode ser visto aqui. É uma prova da importância de Ponte de Lima na rota na arquitectura moderna.
domingo, 18 de maio de 2008
Casa entre-muros

1.pequeno nicho religioso2.búzios pintados de azul incustrados na parede
3.cruz desenhada com pequenos mosaicos sanitários

Esta modesta casa situada próxima da Capela das Pereiras num estreito caminho entre muros limites da Quinta da Casa de Aurora é o exemplo da criatividade a baixos custos e dedicação do seu último morador. Sendo obviamente discutível o seu gosto não passa indiferente a quem por ela passa. Hoje esta pequena moradia que se confunde com o próprio muro não tem a manutenção impressa pelo proprietário entretanto falecido, no entanto aqui fica registado o seu empenho.
O grande licenciador
O grande licenciador
Em resultado do enquadramento legal que envolve a prática da arquitectura em Portugal discute-se muito quem pode afinal fazer arquitectura?
O tema é extenso e por certo relevante. Mas este debate não se faz acompanhar de um outro que talvez valesse a pena começar a dramatizar: quem licencia essa arquitectura? E como?
As Câmaras Municipais têm a seu cargo o exercício do licenciamento de projectos de arquitectura. Assim, os trabalhos de arquitectura promovidos pelos cidadãos são sujeitos ao escrutínio estatal, com vista a apreciar se estão em conformidade com as regras urbanísticas e edificatórias em vigor.
O que isto significa é que o acto do licenciamento desempenha uma função jurídica. A autoridade conferida aos organismos licenciadores do Estado resulta de se suportar em regras que estão devidamente inscritas na legislação e publicadas enquanto tal. Caso contrário, estaríamos na presença de um acto discricionário, ao sabor do entendimento pessoal e subjectivo de cada técnico ou entidade que exerce essa função.
Um dos graves problemas – diria mesmo dramas – de produzir arquitectura em Portugal resulta da fraca cultura institucional das Câmaras Municipais e demais organismos do Estado sobre o significado do serviço público que deviam exercer. A falta de rigor jurídico, o incumprimento de prazos legais de tramitação processual, a falta de objectividade em relação ao que é essencial e acessório no que respeita aos interesses públicos e privados em presença, resultam num verdadeiro atentado à actividade económica e ao espaço de liberdade individual dos cidadãos. Resultado dessa cultura institucional débil, o cidadão acaba por ser confrontado com pareceres técnicos que misturam factos jurídicos com asserções de dimensão completamente pessoal e subjectiva, do entendimento do técnico individual ou do colectivo institucional que exerce a autoridade de licenciamento.
Devia reflectir-se seriamente sobre o que está aqui em causa. Já será negativo que em certas instituições se cultive um culto de rigor que é, em boa verdade, a mais cega e estrita interpretação possível da legislação. Mas quando este exercício recai para o terreno da completa indistinção entre legal e opinativo, entre o objectivo e o subjectivo, as consequências tornam-se ainda mais graves. Licenciar torna-se assim o mais discricionário exercício de autoridade à mercê dos seus técnicos e dos seus caprichos. Quando o seu zelo não se faz acompanhar de cultura arquitectónica ou saber técnico (histórico, patrimonial ou qualquer outro), os cidadãos vêm-se sujeitos às mais irrelevantes asserções e imposições sobre beirados, alisares, cores locais e essa anedota que dá pelo nome de traça original.
É muito importante que se compreenda de forma inequívoca que a autoridade dos agentes do Estado resulta da inscrição das suas disposições em suporte legal. Quando não estão em presença valores devidamente identificados e regulamentados, a sua actuação casuística e caprichosa faz resvalar essa autoridade para um exercício ilegítimo, sem transparência e, mais grave ainda, sem validade legal. Uma situação que promotores musculados poderão rebater facilmente com suporte jurídico, mas a que cidadãos e profissionais, por desconhecimento ou receio de retaliação, se acabam muitas vezes por submeter.
A reflexão importante que deveria fazer-se em torno do que serão boas práticas de licenciamento será inútil se realizada com mero intuito de culpabilização dos seus agentes. É certo que o Estado se debate com problemas de qualificação técnica e humana, de organização, metodologias e meios. E que a nebulosa cacofónica de legislação do sector torna o trabalho de licenciamento um pesadelo para os técnicos directamente envolvidos. O que está em causa, verdadeiramente, é a urgência em inscrever no Estado uma doutrina de qualidade. A instituição de uma cultura de serviço público e a compreensão de que as más práticas têm como consequência um pesado prejuízo colectivo e o desrespeito pelos direitos individuais dos cidadãos. A cegueira em afrontar este problema terá como resultados, de simplex em simplex, a perda de autoridade dos agentes estatais e, por fim, a desregulamentação total.
sábado, 17 de maio de 2008
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Entrada da vila

Entrada na vila no principio dos anos 70 com o Palacete Villa Moraes em pano de fundo. Interessante a percepção de como o já raro património de sinalização de localidades pertencente às Estradas Nacionais de Portugal era esteticamente mais interessante e sobretudo mais claro do que a actual confusão sinalizadora à entrada das nossas urbes.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Ruína


Este interessante prédio na Rua do Postigo, provavelmente o mais antigo da rua como denuncia o rés-do-chão em pedra com um alinhamento de rua anterior ao actual e o balcão dos pisos superiores avançando em madeira sobre o passeio, começa a dar sinais de ruína eminente. Esperemos que um dos poucos exemplares de arquitectura em madeira existentes no centro histórico não desapareça irremediavelmente.






