terça-feira, 15 de dezembro de 2009
mobiliário urbano e espaço público
O horror ao vazio é uma constante vulgar e um dos preconceitos mais difíceis de contrariar. Sendo o centro histórico de Ponte de Lima um produto de intervenções várias que lhe conferiram um nível acabamento razoável, tem sido díficil saber quando terminar a "pintura do quadro". Por outras palavras, tem sido difícil resistir a mais uma pincelada no quadro, resultando quase sempre numa "mancha". Porém, no que diz respeito ao espaço público referente a praças e ruas movimentadas, o excesso de informação nunca foi benéfica já que retira unidade e leitura espacial e porque introduz obstáculos a um espaço que se quer de fruição saudável e contemplação do património construído. A adicção de elementos vegetais são sempre de salutar, no entanto nem sempre a sua localização respeita o enquadramento tradicional dos monumentos, perturbando a médio e longo prazo a sua visibilidade e desviando o olhar do essencial; neste caso, de um património ancestral. É o caso da Porta Nova, única sobrevivente do sistema muralhado e que actualmente se esconde entre plantas. Os elementos urbanos são objectos e materiais que se utilizam e se integram na paisagem urbana e devem ser compreensíveis ao cidadão. O conceito de mobiliário urbano pode gerar equívocos se o restringirmos à ideia de mobiliar ou decorar a vila. Contrastando com o excesso de zelo no tratamento do espaço público da vila, a expansão urbana da vila continua deficitária em relação a um espaço público que deveria ser mais amável ao cidadão.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
AAPEL (Associação dos Amigos da Pessoa Especial Limiana)
A Associação dos Amigos da Pessoa Especial Limiana (AAPEL) surge do esforço voluntarioso de um grupo de professores e educadores que, movidos pela constatação das fortes carências no concelho no tratamento de pessoas com deficiências diversas, moveram-se no sentido de criar uma estrutura institucional e instalações físicas que possam albergar este tipo de pessoas especiais. Na carta de apresentação da AAPEL, a direcção apresenta-se desta forma:
O problema surge quando os alunos portadores de multideficiência, atingem o fim da escolaridade obrigatória. Colocam-se então várias questões:
- Onde é que podem dar continuidade ao trabalho iniciado na escola?
- Que condições têm as famílias para poderem ajudar os filhos no seu desenvolvimento?
- Que ajuda têm as famílias para suportar condignamente a responsabilidade de uma criança deficiente profunda?
Foi a reflexão sobre esta situação que nos impeliu para a constituição de uma Instituição Particular de Solidariedade Social, que pudesse responder às necessidades desta população.
Assim surgiu a Associação dos Amigos da Pessoa Especial Limiana — AAPEL
Como objectivos temos, inicialmente, a formação de um Centro de Actividades Ocupacionais. Neste espaço serão realizadas actividades adaptadas às diferentes condições dos utentes. Pretendemos fazer acordos com outras Instituições, de forma a garantir uma ocupação plena do seu tempo, nomeadamente nas infra-estruturas desportivas, culturais, terapêuticas e de lazer.
Sabemos que há crianças, jovens e adultos, por todo o Concelho de Ponte de Lima a quem esta Instituição será de grande utilidade. Também as suas famílias necessitam deste apoio para que possam libertar-se um pouco da tarefa que tanto tempo e dedicação lhes ocupa, e consigam viver um pouco para si.
Estamos certos de que este é um dos caminhos para a melhoria da qualidade de vida de uma sociedade, em destaque, estas Pessoas tão Especiais que merecem de todos nós apoio, uma vez que tantas lições nos têm dado pela vida fora.
Estando este projecto ainda em fase burocrática, é importante o apoio de todas as Entidades e Particulares que, de uma ou outra forma, possam ajudar a abrir caminho, para que rapidamente, se passe à fase prática e funcional."
Neste momento encontra-se em processo de licenciamento o projecto de reconversão da Antiga Escola da Freiria em Arcozelo para um Centro de Actividades Ocupacionais que dotará Ponte de Lima com um equipamento de excelência no tratamento e inclusão da pessoal especial limiana na sociedade.
Se desejar tornar-se sócio desta associação visite o seu blogue AAPEL
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
TGV-duas alternativas

Como optar entre dois traçados igualmente danosos para o concelho de Ponte de Lima? Não discutindo a pertinência do projecto a nível nacional, será mais oportuno neste momento debater em pormenor o real impacto sobre o território limiano. Optar pela pelo traçado mais vantajoso em termos das politicas futuras de ordenamento do território, turismo, expansão da zona urbana ou de relacionamento com o litoral são tópicos que deverão ser clarificados urgentemente de forma ao município ganhar tempo para discutir questões de detalhe como túneis, viadutos e o seu enquadramento com o património construido e onde Ponte de Lima surge no topo dos concelhos afectados.
Altenativa A - É o traçado que segue quase intercaladamente o percurso da auto-estrada A3. É uma solução menos favorável no que diz respeito a expropriações e tem como factor sensível o facto de atravessar freguesias urbanas da vila como Ribeira, Arca, Fornelos e Arcozelo. Sacrificará alguns centros de concentração de populações rurais como são os espaços circundantes de igrejas. Esta será porventura a alternativa mais favorável para o concelho devido à concentração de corredores de circulação (A3 e TGV) apesar da ingratidão da sobrecarga de algumas freguesias que já passaram por uma experiência semelhante com a A3 e que vêem mais uma vez os seus interesses condicionados em nome de todo o concelho. Outra questão sensível será o impacto paisagístico do viaduto sobre o Rio Lima. Este processar-se-á a jusante do viaduto da A3 e portanto mais próximo do centro histórico. Será necessário avaliar o impacto visual que esta obra provocará em locais dentro do centro histórico. A ser escolhida esta alternativa o município deverá seguir de perto a orientação desta peça de engenharia.
Alternativa B - Tem como vantagem técnica a morfologia do terreno e um regime de expropriações mais leve. No entanto, o que ressalta desta alternativa é o duro golpe no corredor ecológico compreendido entre o Rio Lima e a Serra de Arga afectando a Área Protegida das Lagos de Bertiandos/S. Pedro de Arcos assim como a Casa e Quinta da Laje, imóvel classificado. A forte aposta na última década nesta zona poente do concelho como referência na protecção de uma área de grande relevância paisagistica, ruralidade e bucolismo ficará condicionada. Esta alternativa significa também o corte do concelho através de dois corredores viários que isolarão o centro histórico e zona urbana da vila.
A passagem do TGV, tal como a A3 há cerca de 15 anos, marcará violentamente a paisagem e desta vez com a agravante de não existir um benefício directo para o concelho. Impõe-se um empenho e determinação reforçadas na escolha das opções e sobretudo um acompanhamento próximo na fase de projecto final do traçado de forma a suavizar o maior número de casos danosos pelas freguesias.
Links: Cartografia
Resumo não técnico
Ponte de Lima 1963 (V)
Sequência de vídeo retirada do documentário da RTP sobre Ponte de Lima inserida na série "Terras de Portugal" de 1963
Direcção e realização do jornalista limiano Reinaldo Varela.
Música: Johann Johannsson - Melodia (I)
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Arquitectura desaparecida em Ponte de Lima (VII)
O prédio que fazia o gaveto do Largo de S.José com a Rua Inácio Perestrelo sofreu com a política de realinhamentos urbanos que na primeira metade do século passado procuraram redesenhar alguns perfis de ruas do centro urbano. Era um edifício claramente voltado para o Largo de S.José como denota a nobreza da fachada de vão simétricos, cantarias sólidas e varandas suportadas por mísulas. Esta fachada típica do séc. XVIII rematava o perfil da Rua da Abadia com a mesma linguagem arquitectónica caracterizada por varandas de ferro com um certo lavor artístico, neste caso pelo desenho de harpas nas guardas. No entanto, esta fachada tinha no seu desenho um certo ar de palacete urbano atribuindo ao largo adjacente a dignidade que um espaço público de confluência exige. O prédio tinha 3 pisos sendo o último muito provavelmente uma adicção posterior. Por outro lado, a fachada que se volta para a Rua Inácio Perestrelo tem um carácter secundário, de maior pobreza de desenho, com vãos dispostos com uma geometria pouco clara. O constraste entre o cheio e o vazio entre vãos e a solidez das paredes denuncia uma ancestralidade anterior à era de setecentos e talvez a origem do prédio seja contemporânea do prédio dos Marinho Pinto também demolido na mesma rua. Este edifício tinha uma implantação que difere do actual prédio construído nos anos 50 do séc.XX. O antigo prédio ocupava parte do Largo de S.José e direccionava o fluxo da rua da Abadia para a Rua Beato Francisco Pacheco provocando um ligeiro alargamento da Rua Inácio Perestrelo. O prédio foi demolido no final da primeira metade do século passado e as fotos aqui apresentadas registam os primeiros momentos das obras de demolição, já sem as caixilharias e os operários no topo do prédio. Está patente a preocupação do autor das mesmas em fixar um momento urbano que pela sua centralidade não passaria despercebido na vida quotidiana da vila. No seu lugar emergiu outro prédio de escala exagerada, construida com acabamentos que não fazem a ponte com o restante casario e que, em conjunto com o prédio vizinho (actual BPI), ambicionou marcar com uma nova imagem simbólica de uma modernidade ingénua mas bem presente nas vilas e cidades do país e que Ponte de Lima não quis permanecer alheada.
Fontes: Ponte de Lima-Uma Vila Histórica no Minho, p.267
Revista Arquivo de Ponte de Lima
domingo, 1 de novembro de 2009
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Conditions Magazine

Conditions Magazine é o nome de uma revista escandinava de cariz mais teórico e que tem como objecto de estudo a discussão de temas ligados à arquitectura e urbanismo. Pretende integrar-se num segmento do mercado editorial no campo da arquitectura que tem vindo a ser subestimado com o excessivo culto da imagem. É uma revista que propõe-se discutir de raíz temas oportunos e assim encontrar novas estratégias que se adaptem a esta sociedade em evolução contínua. É com orgulho que vejo entre os três editores e fundadores desta publicação a jovem limiana Joana Sá Lima em conjunto com Tor Inge Hjemdal e Anders Melsom. Encontra-se neste momento no seu segundo número e pretende ter uma média de quatro publicações anuais.
domingo, 4 de outubro de 2009
sábado, 3 de outubro de 2009
Praia Fluvial

Após a construção do açude, infra-estrutura estanque que não previu na época uma necessária renovação do curso das águas, a percepção de que a Praia do Arnado deixaria de ser uma realidade fez-se notar. A subida do nível das águas provocada por esta represa aniquilou gradualmente com o lençol de areia que propíciava uma adequada zona de banhos na bifurcação do Rio Labruja com o Rio Lima. O investimento realizado nesse local teve assim um curto período de vida. Associado à perda de qualidade das àguas e da areia das suas margens, Ponte de Lima perdeu o mais importante foco de lazer dos jovens limianos durante os meses de verão e perdeu também umas das melhores praias fluviais do país. As condições ambientais mudaram, as características do rio não permitem neste momento a recuperação deste bem nos locais tradicionais. Porém, a avaliar pela recente fixação dos banhistas, uma nova zona tem sido priveligiada a jusante do açude. Neste local o rio retoma o seu curso normal com a sua corrente de água renovada pelo galgar do açude e detém um areal razóavel. O assumir desta zona como praia fluvial é oportuna. Para isso torna-se essencial a revisão de um novo açude que permita descargas regulares eliminando a sedimentação de detritos no fundo das águas e que seja uma mais-valia para o extraordinário posicionamento do clube náutico em termos de resultados. O açude poderá integrar uma ponte pedonal que permita a passagem entre margens e dinamize a alameda a poente da Igreja Nossa Sra. da Guia e incentive um percurso pedonal a 360º entre as pontes. O areal deverá ser limpo e equipamentos de apoio aos banhistas deverão acompanhar esta intervenção. A ligação e dinamização das margens neste local libertaria o açude do abandono acelerado. As represas são na generalidade locais de grande afluência turística devido ao espectáculo provocado pelas águas. Devem ser por isso um grande foco de dinamização turística. Infelizmente não foi o sucedido em Ponte de Lima, resta a oportunidade.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Além da Ponte


Apesar de pouco digna de menções, esta estreita rua entre a Rua Conde da Barca e o Largo Alexandre Herculano não deixa de surpreender pelas suas inusitadas características. Pouco atravessável, esta rua da qual não consegui apurar a sua toponímia, apresenta várias curiosidades. Um sólido muro denunciando óbvia ancestralidade remata a rua a norte e permite o acesso à rua que corre a uma cota superior. A sua estreiteza comparativamente à altura dos prédios que confrontam esta rua exponenciam a sua verticalidade. O fechamento existente a norte atribuiu um carácter privado, de fortes relações de vizinhança. É um espaço que faz a transição entre uma realidade de concentração urbana existente no centro histórico com a presença mais rural de Arcozelo. No entanto, a relativa modéstia das suas construções apostando em varandas corridas no último piso e a diferença cromática associada às particularidades do espaço público da rua remetem para uma realidade urbana que é mais típica das cidades e vilas do sul de Portugal e Espanha, onde o desenho do casco antigo tem fortes raízes no urbanismo muçulmano. A sul esta rua desemboca num largo de pequenas dimensões pontuado por um fontanário e ladeado por construções de arquitectura popular e cujo bom gosto das recuperações tem vindo a restituir a dignidade que este espaço merece.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Fontes e Fontanários

Ponte de Lima é rica em fontes e chafarizes espalhados pelo território. No entanto sofrem de dois males. Por um lado a qualidade das águas (mais de metades destas fontes de água estão impróprias para consumo) e por outro lado, a quantidade da água que é jorrada pelas bicas. Veja-se o caso do chafariz do Largo de Camões que parece ter perdido o vigor com que se processa o sentido descendente entre os vários patamares (para não falar da falta de limpeza). O outro caso será o da Fonte da Vila; seria interessante colocar as bicas laterais a funcionar. O efeito seria francamente exponenciado. Para um centro histórico que sofre tanto nos meses de Verão com a falta de humidade, estes pontos de água seriam essenciais para introduzir alguma frescura.
Sobre este assunto: Tempo Cativo
sábado, 29 de agosto de 2009
Arquitectura contemporânea em Ponte de Lima (III)
Nota
domingo, 23 de agosto de 2009
Arquitectura desaparecida em Ponte de Lima (V)
O aspecto mais curioso destas imagens será a existência até 1927 de um sólido fontanário acoplado à empena de uma modesta casa que chegou aos nossos dias embora com a sua aparência exterior profundamente reformulada.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Canal do município de Ponte de Lima
Link: Canal do município de Ponte de Lima


















