sábado, 30 de janeiro de 2010

Casa Torreada dos Barbosa Aranha


A câmara Municipal de Ponte de Lima decidiu na reunião ordinária de 25 de Janeiro a aquisição deste imóvel cuja degradação tinha vindo a ser acelerada e cuja situação vinha sendo alertada em vários blogues limianos. Segundo a autarquia, este edifício será uma extensão dos serviços municipais que carecem de espaços qualificados.

albergues de montanha






Através do projecto "Casas de Abrigo - Terapias da Natureza" o munícipio tem apostado na revitalização de antigas escolas primárias desactivadas para turismo ligado à natureza. Uma óptima ideia que tem ganho expressão pelo território nacional e que, aliado às excelentes localizações que estas antigas escolas gozam sobre a paisagem, será seguramente uma ideia a ser repetida.

Segundo o Portal do Município:

Recentemente foram integradas nesta rede mais quatro casas de Abrigo, que resultaram da recuperação das escolas primárias de Rendufe e S. Mamede. Pela sua localização e integração no meio irão promover uma intensa interacção entre o visitante a natureza e o mundo rural.

A integração da escola de Rendufe e de S.Mamede, na rede de Casas de Abrigo do Serviço Área Protegida e a posterior criação de actividades de lazer em redor das mesmas, vai permitir ao visitante desfrutar da qualidade ambiental e paisagística dos locais e de outros equipamentos existentes, como por exemplo o futuro Parque de Pesca de Rendufe.

De referir que estes locais serão geridos em rede, em parceria com os alojamentos já existentes no concelho, alojamentos que já contam com uma elevada taxa de sucesso. As Casas da Quinta Pedagógica de Pentieiros, a Casa do Cuco e a Casa da Floresta são alguns dos exemplos do sucesso deste tipo de projectos.

Arquitectura Contemporânea em Ponte de Lima (IV)





Adicionar imagemCentro comunitário de Arcozelo - Ponte de Lima Traços D´Arq

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Comunidade Artística Limiana




Comunidade Artística Limiana é uma iniciativa de Daniel Moreira, criador do projecto
Musica Profana, que pretende congregar numa associação cultural todos os conterrâneos que tenham paixão pelas várias artes (pintura, literatura, poesia, arquitectura, ilustração, música, etc). Porém, esta associação pretende ir mais além e assumir-se como futura promotora de uma agenda cultural que, em conjunto com a Câmara Municipal, possa ir de encontro aos gostos e aspirações de uma geração de limianos cujos horizontes alargam-se exponencialmente e consequentemente exigem uma oferta alternativa. É sobretudo uma comunidade que pretende usar a vila de Ponte de Lima como palco de actividades várias. Esta Comunidade Artística Limiana é também um grito de resistência a uma certa apatia e desânimo por parte de jovens limianos que cada vez mais têm consciência da necessidade de uma sociedade cada vez mais cultural. Ponte de Lima tem uma taxa de juventude interessante e activa e esse é o maior sinal de esperança para o Centro histórico de Ponte de Lima que se desertifica. O centro histórico atrai essa juventude. É necessário que a Câmara Municipal esteja aberta a qualquer iniciativa deste género e crie sinergias e condições para a fixação desta juventude que acredita numa Ponte de Lima como epicentro de uma nova realidade cultural que os orgulhe. Basta ter como referência a Cidade de Santa Maria da Feira, que apesar da sua reduzida escala, consegue manter uma agenda refrescante e atraente para vários públicos. É notável o esforço da Câmara Municipal na dinamização da agenda nos meses de Verão, no entanto esse esforço deve ser complementado. A futura Biblioteca Municipal manter-se no centro histórico é uma óptima medida que precisa de ser seguida por outros equipamentos que atraiam jovens como centros de estudos, casa de juventude, galerias de arte, alojamentos, parque de campismo, praia fluvial renovada como área de lazer e desportos de verão. Transcrevo a mensagem dirigida aos limianos por Daniel Moreira através da página da Comunidade Artística Limiana no Facebook:

"Recolha de trabalhos em qualquer género e em formato digital, de forma a poderem ser publicados numa edição online e impressa. Só conseguirei levar este projecto para a frente se colaborarem comigo. Não estou com muita paciência para andar sempre a pedir porque isto é uma oportunidade que estou a dar sem cobrar nada em troca. Se querem ver o vosso trabalho divulgado no nosso meio e não só, por favor colaborem. Se não conseguirmos que haja uma união à volta deste assunto já, nunca vamos conseguir mudar as coisas em Ponte de Lima.

Esta publicação pode servir para chamar a atenção da sociedade limiana para o facto de haver quem ainda se aventure e queira usar a Arte como forma de expressão, mesmo sabendo que é difícil vingar. Mais difícil é quando na própria terra ninguém conhece as suas capacidades e o seu trabalho. Não devia ser este o ponto de partida?

Isto interessa a todos, não só a artistas, porque estamos a falar da possibilidade da criação de uma associação cultural com espaço para exposições, concertos, workshops, etc. A falta de uma programação cultural moderna e contemporânea é uma realidade. A Câmara é limitada na sua programação, todos sabemos disso e todos queremos mais! Assim sendo, uma associação cultural em parceria com a Câmara Municipal pode muito bem ficar responsável pela agenda cultural da vila, ficando a cargo da Câmara a continuidade do que já existe.

Espero receber notícias vossas neste email: cal4990@gmail.com

Daniel Moreira
"

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Paisagens (I)




Este postal é curioso por retratar uma paisagem actualmente encoberta pela densa mancha arborizada da Avenida dos Plátanos (felizmente). É uma fotografia do princípio do séc. XX como denuncia a juventude dos Plátanos.


-Na cerca murada do lado esquerdo encontra-se o quintal onde posteriormente construiu-se o Mercado Municipal.

-O centro da fotografia é ocupada pelos terrenos pertencentes ao Palacete Villa Moraes. O pomar que deu lugar ao Hotel e Centro Ibérico era formado por uma sólida cerca gradeada pontuada nos cantos por pequenos miradouros. Apenas resta actualmente o nicho religioso voltado para o palacete junto à estrada e resultando num infeliz enquadramento.
Porém, é uma fotografia que relembra a posição hegemónica do palacete na sua relação com o rio. Não é difícil imaginar o impacto que provocaria para quem entrasse na vila por via fluvial. Era um edifício que procurou implantar-se numa posição altiva libertando as vistas para a paisagem a norte e criando um claro percurso de acesso ao rio.

-De notar as torres laterais da cerca que foram reduzidas à metade da sua altura. Procuravam, em conjunto com a volumetria do palacete, estabilizar a escala de todo o conjunto. O piso demolido das torres era constituído por elementos de ferro e madeira, pelo que a sua degradação aliada à mudança de proprietários ditou a sua demolição. No entanto, este pormenor foi esquecido na excepcional recuperação recente do palacete.


-À direita da fotografia encontra-se todo o conjunto do Convento de Santo António e Ordem Terceira de S.Francisco e o recém-inaugurado Teatro Diogo Bernardes.

sábado, 2 de janeiro de 2010

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

mobiliário urbano e espaço público



O horror ao vazio é uma constante vulgar e um dos preconceitos mais difíceis de contrariar. Sendo o centro histórico de Ponte de Lima um produto de intervenções várias que lhe conferiram um nível acabamento razoável, tem sido díficil saber quando terminar a "pintura do quadro". Por outras palavras, tem sido difícil resistir a mais uma pincelada no quadro, resultando quase sempre numa "mancha". Porém, no que diz respeito ao espaço público referente a praças e ruas movimentadas, o excesso de informação nunca foi benéfica já que retira unidade e leitura espacial e porque introduz obstáculos a um espaço que se quer de fruição saudável e contemplação do património construído. A adicção de elementos vegetais são sempre de salutar, no entanto nem sempre a sua localização respeita o enquadramento tradicional dos monumentos, perturbando a médio e longo prazo a sua visibilidade e desviando o olhar do essencial; neste caso, de um património ancestral. É o caso da Porta Nova, única sobrevivente do sistema muralhado e que actualmente se esconde entre plantas.
Os elementos urbanos são objectos e materiais que se utilizam e se integram na paisagem urbana e devem ser compreensíveis ao cidadão. O conceito de mobiliário urbano pode gerar equívocos se o restringirmos à ideia de mobiliar ou decorar a vila. Contrastando com o excesso de zelo no tratamento do espaço público da vila, a expansão urbana da vila continua deficitária em relação a um espaço público que deveria ser mais amável ao cidadão.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Victor Mendes critica impacto social e ambiental dos traçados do TGV

Notícia do Público

AAPEL (Associação dos Amigos da Pessoa Especial Limiana)


Centro de actividades Ocupacionais Freiria - Arcozelo
Projecto: André Rocha e Paulo Afonso

A Associação dos Amigos da Pessoa Especial Limiana (AAPEL) surge do esforço voluntarioso de um grupo de professores e educadores que, movidos pela constatação das fortes carências no concelho no tratamento de pessoas com deficiências diversas, moveram-se no sentido de criar uma estrutura institucional e instalações físicas que possam albergar este tipo de pessoas especiais.
Na carta de apresentação da AAPEL, a direcção apresenta-se desta forma:


"Através de um já longo percurso pelas instituições escolares e não só, fomos-nos dando conta da existência de um grande número de crianças e adolescentes com diferentes tipos de deficiência que, fruto da política de integração no ensino regular, cumprem, dentro do possível, o horário curricular.
Apesar das suas dificuldades e condicionantes, o período correspondente à escolaridade obrigatória permite a estas crianças usufruir de um conjunto de actividades estimulantes que irão desenvolver as suas áreas fortes e levar a um certo nível de autonomia.

O problema surge quando os alunos portadores de multideficiência, atingem o fim da escolaridade obrigatória. Colocam-se então várias questões:
  • Onde é que podem dar continuidade ao trabalho iniciado na escola?
  • Que condições têm as famílias para poderem ajudar os filhos no seu desenvolvimento?
  • Que ajuda têm as famílias para suportar condignamente a responsabilidade de uma criança deficiente profunda?

Foi a reflexão sobre esta situação que nos impeliu para a constituição de uma Instituição Particular de Solidariedade Social, que pudesse responder às necessidades desta população.
Assim surgiu a Associação dos Amigos da Pessoa Especial Limiana — AAPEL

Como objectivos temos, inicialmente, a formação de um Centro de Actividades Ocupacionais. Neste espaço serão realizadas actividades adaptadas às diferentes condições dos utentes. Pretendemos fazer acordos com outras Instituições, de forma a garantir uma ocupação plena do seu tempo, nomeadamente nas infra-estruturas desportivas, culturais, terapêuticas e de lazer.

Sabemos que há crianças, jovens e adultos, por todo o Concelho de Ponte de Lima a quem esta Instituição será de grande utilidade. Também as suas famílias necessitam deste apoio para que possam libertar-se um pouco da tarefa que tanto tempo e dedicação lhes ocupa, e consigam viver um pouco para si.

Estamos certos de que este é um dos caminhos para a melhoria da qualidade de vida de uma sociedade, em destaque, estas Pessoas tão Especiais que merecem de todos nós apoio, uma vez que tantas lições nos têm dado pela vida fora.

Estando este projecto ainda em fase burocrática, é importante o apoio de todas as Entidades e Particulares que, de uma ou outra forma, possam ajudar a abrir caminho, para que rapidamente, se passe à fase prática e funcional."

Neste momento encontra-se em processo de licenciamento o projecto de reconversão da Antiga Escola da Freiria em Arcozelo para um Centro de Actividades Ocupacionais que dotará Ponte de Lima com um equipamento de excelência no tratamento e inclusão da pessoal especial limiana na sociedade.

Se desejar tornar-se sócio desta associação visite o seu blogue AAPEL

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

TGV-duas alternativas




Como optar entre dois traçados igualmente danosos para o concelho de Ponte de Lima? Não discutindo a pertinência do projecto a nível nacional, será mais oportuno neste momento debater em pormenor o real impacto sobre o território limiano. Optar pela pelo traçado mais vantajoso em termos das politicas futuras de ordenamento do território, turismo, expansão da zona urbana ou de relacionamento com o litoral são tópicos que deverão ser clarificados urgentemente de forma ao município ganhar tempo para discutir questões de detalhe como túneis, viadutos e o seu enquadramento com o património construido e onde Ponte de Lima surge no topo dos concelhos afectados.


Altenativa A
- É o traçado que segue quase intercaladamente o percurso da auto-estrada A3. É uma solução menos favorável no que diz respeito a expropriações e tem como factor sensível o facto de atravessar freguesias urbanas da vila como Ribeira, Arca, Fornelos e Arcozelo. Sacrificará alguns centros de concentração de populações rurais como são os espaços circundantes de igrejas. Esta será porventura a alternativa mais favorável para o concelho devido à concentração de corredores de circulação (A3 e TGV) apesar da ingratidão da sobrecarga de algumas freguesias que já passaram por uma experiência semelhante com a A3 e que vêem mais uma vez os seus interesses condicionados em nome de todo o concelho. Outra questão sensível será o impacto paisagístico do viaduto sobre o Rio Lima. Este processar-se-á a jusante do viaduto da A3 e portanto mais próximo do centro histórico. Será necessário avaliar o impacto visual que esta obra provocará em locais dentro do centro histórico. A ser escolhida esta alternativa o município deverá seguir de perto a orientação desta peça de engenharia.


Alternativa B
- Tem como vantagem técnica a morfologia do terreno e um regime de expropriações mais leve. No entanto, o que ressalta desta alternativa é o duro golpe no corredor ecológico compreendido entre o Rio Lima e a Serra de Arga afectando a Área Protegida das Lagos de Bertiandos/S. Pedro de Arcos assim como a Casa e Quinta da Laje, imóvel classificado. A forte aposta na última década nesta zona poente do concelho como referência na protecção de uma área de grande relevância paisagistica, ruralidade e bucolismo ficará condicionada. Esta alternativa significa também o corte do concelho através de dois corredores viários que isolarão o centro histórico e zona urbana da vila.


A passagem do TGV, tal como a A3 há cerca de 15 anos, marcará violentamente a paisagem e desta vez com a agravante de não existir um benefício directo para o concelho. Impõe-se um empenho e determinação reforçadas na escolha das opções e sobretudo um acompanhamento próximo
na fase de projecto final do traçado de forma a suavizar o maior número de casos danosos pelas freguesias.

Links: Cartografia
Resumo não técnico

Ponte de Lima 1963 (V)








Sequência de vídeo retirada do documentário da RTP sobre Ponte de Lima inserida na série "Terras de Portugal" de 19
63
Direcção e realização do jornalista limiano Reinaldo Varela.

Música: Johann Johannsson - Melodia (I)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Arquitectura desaparecida em Ponte de Lima (VII)


até 1950

actualmente

O prédio que fazia o gaveto do Largo de S.José com a Rua Inácio Perestrelo sofreu com a política de realinhamentos urbanos que na primeira metade do século passado procuraram redesenhar alguns perfis de ruas do centro urbano. Era um edifício claramente voltado para o Largo de S.José como denota a nobreza da fachada de vão simétricos, cantarias sólidas e varandas suportadas por mísulas. Esta fachada típica do séc. XVIII rematava o perfil da Rua da Abadia com a mesma linguagem arquitectónica caracterizada por varandas de ferro com um certo lavor artístico, neste caso pelo desenho de harpas nas guardas. No entanto, esta fachada tinha no seu desenho um certo ar de palacete urbano atribuindo ao largo adjacente a dignidade que um espaço público de confluência exige. O prédio tinha 3 pisos sendo o último muito provavelmente uma adicção posterior. Por outro lado, a fachada que se volta para a Rua Inácio Perestrelo tem um carácter secundário, de maior pobreza de desenho, com vãos dispostos com uma geometria pouco clara. O constraste entre o cheio e o vazio entre vãos e a solidez das paredes denuncia uma ancestralidade anterior à era de setecentos e talvez a origem do prédio seja contemporânea do
prédio dos Marinho Pinto também demolido na mesma rua. Este edifício tinha uma implantação que difere do actual prédio construído nos anos 50 do séc.XX. O antigo prédio ocupava parte do Largo de S.José e direccionava o fluxo da rua da Abadia para a Rua Beato Francisco Pacheco provocando um ligeiro alargamento da Rua Inácio Perestrelo. O prédio foi demolido no final da primeira metade do século passado e as fotos aqui apresentadas registam os primeiros momentos das obras de demolição, já sem as caixilharias e os operários no topo do prédio. Está patente a preocupação do autor das mesmas em fixar um momento urbano que pela sua centralidade não passaria despercebido na vida quotidiana da vila. No seu lugar emergiu outro prédio de escala exagerada, construida com acabamentos que não fazem a ponte com o restante casario e que, em conjunto com o prédio vizinho (actual BPI), ambicionou marcar com uma nova imagem simbólica de uma modernidade ingénua mas bem presente nas vilas e cidades do país e que Ponte de Lima não quis permanecer alheada.

Fontes: Ponte de Lima-Uma Vila Histórica no Minho, p.267
Revista Arquivo de Ponte de Lima

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Ponte de Lima (dia de cheia em 1947)

Passeio 25 de Abril

Rua do Rosário


Fotos: Arquivo Família Vieira Lisboa_Casa da Freiria

Conditions Magazine


Conditions Magazine é o nome de uma revista escandinava de cariz mais teórico e que tem como objecto de estudo a discussão de temas ligados à arquitectura e urbanismo. Pretende integrar-se num segmento do mercado editorial no campo da arquitectura que tem vindo a ser subestimado com o excessivo culto da imagem. É uma revista que propõe-se discutir de raíz temas oportunos e assim encontrar novas estratégias que se adaptem a esta sociedade em evolução contínua. É com orgulho que vejo entre os três editores e fundadores desta publicação a jovem limiana Joana Sá Lima em conjunto com Tor Inge Hjemdal e Anders Melsom. Encontra-se neste momento no seu segundo número e pretende ter uma média de quatro publicações anuais.

sábado, 3 de outubro de 2009

Praia Fluvial



Após a construção do açude, infra-estrutura estanque que não previu na época uma necessária renovação do curso das águas, a percepção de que a Praia do Arnado deixaria de ser uma realidade fez-se notar. A subida do nível das águas provocada por esta represa aniquilou gradualmente com o lençol de areia que propíciava uma adequada zona de banhos na bifurcação do Rio Labruja com o Rio Lima. O investimento realizado nesse local teve assim um curto período de vida. Associado à perda de qualidade das àguas e da areia das suas margens, Ponte de Lima perdeu o mais importante foco de lazer dos jovens limianos durante os meses de verão e perdeu também umas das melhores praias fluviais do país. As condições ambientais mudaram, as características do rio não permitem neste momento a recuperação deste bem nos locais tradicionais. Porém, a avaliar pela recente fixação dos banhistas, uma nova zona tem sido priveligiada a jusante do açude. Neste local o rio retoma o seu curso normal com a sua corrente de água renovada pelo galgar do açude e detém um areal razóavel. O assumir desta zona como praia fluvial é oportuna. Para isso torna-se essencial a revisão de um novo açude que permita descargas regulares eliminando a sedimentação de detritos no fundo das águas e que seja uma mais-valia para o extraordinário posicionamento do clube náutico em termos de resultados. O açude poderá integrar uma ponte pedonal que permita a passagem entre margens e dinamize a alameda a poente da Igreja Nossa Sra. da Guia e incentive um percurso pedonal a 360º entre as pontes. O areal deverá ser limpo e equipamentos de apoio aos banhistas deverão acompanhar esta intervenção. A ligação e dinamização das margens neste local libertaria o açude do abandono acelerado. As represas são na generalidade locais de grande afluência turística devido ao espectáculo provocado pelas águas. Devem ser por isso um grande foco de dinamização turística. Infelizmente não foi o sucedido em Ponte de Lima, resta a oportunidade.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Além da Ponte




Apesar de pouco digna de menções, esta estreita rua entre a Rua Conde da Barca e o Largo Alexandre Herculano não deixa de surpreender pelas suas inusitadas características. Pouco atravessável, esta rua da qual não consegui apurar a sua toponímia, apresenta várias curiosidades. Um sólido muro denunciando óbvia ancestralidade remata a rua a norte e permite o acesso à rua que corre a uma cota superior. A sua estreiteza comparativamente à altura dos prédios que confrontam esta rua exponenciam a sua verticalidade. O fechamento existente a norte atribuiu um carácter privado, de fortes relações de vizinhança. É um espaço que faz a transição entre uma realidade de concentração urbana existente no centro histórico com a presença mais rural de Arcozelo. No entanto, a relativa modéstia das suas construções apostando em varandas corridas no último piso e a diferença cromática associada às particularidades do espaço público da rua remetem para uma realidade urbana que é mais típica das cidades e vilas do sul de Portugal e Espanha, onde o desenho do casco antigo tem fortes raízes no urbanismo muçulmano.
A sul esta rua desemboca num largo de pequenas dimensões pontuado por um fontanário e ladeado por construções de arquitectura popular e cujo bom gosto das recuperações tem vindo a restituir a dignidade que este espaço merece.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Fontes e Fontanários




Ponte de Lima é rica em fontes e chafarizes espalhados pelo território. No entanto sofrem de dois males. Por um lado a qualidade das águas (mais de metades destas fontes de água estão impróprias para consumo) e por outro lado, a quantidade da água que é jorrada pelas bicas. Veja-se o caso do chafariz do Largo de Camões que parece ter perdido o vigor com que se processa o sentido descendente entre os vários patamares (para não falar da falta de limpeza). O outro caso será o da Fonte da Vila; seria interessante colocar as bicas laterais a funcionar. O efeito seria francamente exponenciado. Para um centro histórico que sofre tanto nos meses de Verão com a falta de humidade, estes pontos de água seriam essenciais para introduzir alguma frescura.


Sobre este assunto: Tempo Cativo