”A crónica, por assim dizer, continua a olhar para a obra avulsa como um “ miserável remendão “e que para ali lançaram, frente ao Rio Lima; e que não consegue esconder a erosão e lástima que se vê nas suas margens. (...) Colocaram no corredor em pedra –delimita o espaço do jardinzeco – virado para as margens do rio: mais de uma centena de lâmpadas e, por assim dizer, inúteis, alumiam para onde? Quem olhar a vila, do meio da Ponte Medieval, leva com aquela luz nos olhos – parecem faróis de automóvel. Querem uma sugestão – e não pagam nada: comecem a cortar a luz naquele espaço virado para o rio... e nunca mais a liguem! E assim Ponte de Lima começa por dar um bom exemplo de poupança."
Esta será das intervenções mais radicais efectuadas no centro histórico de Ponte de Lima e frequentemente esquecida pela população em geral. No entanto, após tomar conhecimento deste facto, é difícil não imaginar, a cada vez que atravessamos o Largo da Feira, que todos os prédios confrontantes têm um piso aterrado abaixo dos nossos pés. Até 1930 o Largo da Feira processava-se sensivelmente à cota do areal comunicando com o Largo de Camões através de uma estreita escada no paredão. A ponte relacionava-se proximamente com estas habitações e apresentava-se com mais dois arcos visíveis. É curioso o facto de que, até 1930, o passeio interligava-se directamente com a Avenida de S. João através da passagem sob os arcos da ponte (momento recuperado com a nova intervenção do areal, embora nesta última, a ponte medieval pareça um obstáculo no percurso e não uma das razões). O aparecimento do automóvel obrigou à necessidade de um desafogo na entrada da ponte medieval a partir do Largo de Camões. O rés-do-chão destas habitações viradas para o Largo da Feira eram regularmente fustigadas por cheias do rio Lima. A câmara municipal procedeu ao aterro de dois dos arcos da ponte e do piso térreo destas habitações, passando o Largo da Feira a funcionar nivelado com o Largo de Camões. Numa das fotos apresentadas as obras de aterro encontram-se já em execução.Constituía um momentos mais interessantes do casario do centro histórico, com os prédios a relacionarem-se de forma diversificada com as várias ruas. Um espaço urbano que processava-se a duas alturas simultaneamente. Após este aterro a frente da vila ganhou um paredão excessivo que quebrou a relação entre o Largo de Camões e o Areal, facto que ainda hoje se verifica.
planta e fotos: Ontem-Hoje, O Largo da Feira, Revista Arquivo Municipal de Ponte de Lima
É frequente depararmo-nos com o sucesso de um determinado feito que colhe a aprovação generalizada do público. Tomadas de decisões ou obras felizes que nos enchem de confiança ilusória para repetir esta fórmula como garante de sucesso e conforto. No entanto, qualquer criativo apercebe-se rapidamente da perda de vigor que a exploração de um mesmo tema envolve. O ridículo apodera-se desse acto criativo ao ponto de descredibilizar o obra primeira.
É curiosa a percepção desta lógica de pensamento nas intervenções no centro histórico de Ponte de Lima. A aposta em soluções criativas e únicas que nos distinguiam perante outros munícipios foi colocada de lado para um enfoque em intervenções previamente testadas. O caso mais pragmático será o da estatuária. O que era inicialmente um caso único que introduzia um carácter inusitado e de referência a um determinado local, transforma-se à quarta ou quinta repetição num ridiculo evento perceptível a qualquer turista.
O segundo caso será o ajardinamento do espaço público. Ponte de Lima fez um trabalho notável neste ponto, criando uma "escola" de jardineiros criativos e que têm sido excelentes embaixadores da vila. Na hora de intervir no areal a solução lógica assentou no seu ajardinamento à imagem do que acontece nos restantes jardins públicos. Soluções anunciadas como soluções de compromisso mas que inutilizam qualquer desejo de plano mais ambicioso. O tema do areal nunca deveria ser o verde mais sim o branco, a cor tradicional deste espaço. O areal como espaço com características inusitadas num espaço urbano é uma oportunidade para introduzir variedade paisagística à vila para além do verde. A ponte medieval foi a primeira a acusar o excesso de desenho; monumento tradicionalmente assente num manto de areia que afirmava a sua leitura longitudinal.
Soluções difíceis como a resolução do areal (com ou sem autómoveis) exigiriam soluções únicas e criativas.
Realizar-se-á nos próximos dias 2, 3 e 4 de Julho a Peça de teatro "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente no areal de Ponte de Lima, junto à ponte medieval. Promovido pela Associação Cultural "Unhas do Diabo" e encenação de Dantas Lima.
The Kanguru Projectsão uma banda de indie/rock oriunda de Ponte de Lima, Viana do Castelo. Lançaram o seu primeiro albúm em janeiro de 2009, edição de autor, o qual se intitula Knock Out.
Ainda em 2009, em Novembro estiveram nos UltraSoundStudios em Braga a gravar o seu segundo albúm. Este albúm foi produzido pelo Pedro Mendes (Heavenwood) e pelo Daniel Cardoso (Heavenwood/Slamo/Head Control System). O Album conta ainda com a participação do próprio Daniel Cardoso na voz, no tema Street Riot e do Ronaldo Fonseca (Peixe:Avião) no tema Uncle Sam Doesn't Want You (disponível no myspace da banda).
Com influências de White Stripes, X-Wife ou Kings of Leon, têm-se imposto de forma galopante no circuito nacional. E não seria de esperar outro desenvolvimento dada a qualidade demonstrada em tão curto espaço temporal.Neste momento encontram-se em votação em conjunto com outras bandas emergentes nacionais visando a participação na edição 2010 do Optimus Alive.
O escritor António Manuel Couto Viana morreu esta tarde aos 87 anos no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, disse à Lusa fonte próxima da família.
O escritor, que residia há cerca de dez anos na Casa do Artista, em Lisboa, foi internado naquele hospital “nos últimos dias, devido a problemas num pé que se agravaram, vindo a falecer”, disse a mesma fonte.O último livro de António Manuel Couto Viana, poeta, contista, ensaísta, actor, dramaturgo, encenador e figurinista, foi a poesia de “Ainda não”, com poemas autobiográficos, lançado em Abril.
O volume de contos pícaros com o título “O que é que eu tenho Maria Arnalda?” foi editado em Setembro de 2009.Em tempos mestre de cena do Teatro S. Carlos, Couto Viana pertenceu ao grupo Távola Redonda e esteve ligado à formação de companhias de teatro, designadamente o grupo Gerifalto e o Teatro da Mocidade.Por intermédio de David Mourão-Ferreira estreou-se como actor e figurinista em 1946 no Teatro Estúdio do Salitre, em Lisboa, mas já anteriormente tinha dado os primeiros passos no teatro de família, o Sá de Miranda, em Viana do Castelo, cidade onde nasceu.
Em 1948, estreou-se na poesia com o livro “O avestruz lírico”, tendo desde então publicado vários títulos.Entre 1950 e 1954 dirigiu, com David Mourão-Ferreira, Luiz de Macedo e Alberto de Lacerda, os cadernos de poesia Távola Redonda, e mais tarde a revista cultural Graal, tendo ainda feito parte da redação da revista Tempo Presente (1959-1961).Couto Viana integrou também a direcção do Teatro de Ensaio (Teatro Monumental) e da Companhia Nacional de Teatro.Encenou óperas para o Círculo Portuense de Ópera e Companhia Portuguesa de Ópera e foi orientador artístico da Oficina de Teatro da Universidade de Coimbra.
A Banda da Grã Cruz de Mérito, Grão-Cruz da Falange Galega, Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique e a Medalha de Mérito Cultural da Cidade de Viana do Castelo foram algumas das condecorações que o escritor recebeu ao longo da vida.
Ao longo da sua carreira foi distinguido com vários prémios literários, entre os quais o Prémio Antero de Quental, Prémio Nacional de Poesia, Prémio Fundação Oriente e Prémio Academia das Ciências de Lisboa.Conselheiro do Conselho de Leitura da Fundação Gulbenkian, Couto Viana encontrava-se a escrever a história da Companhia Nacional de Teatro, de que foi empresário entre 1961 e 1967, disse à Lusa em Setembro de 2009.
A aposta nos transportes não poluentes como as bicicletas e a criação de ciclovias é um sinal de desenvolvimento e progressismo nas urbes actuais. Ponte de Lima tem tido uma política exemplar neste tema. Porém, é incompreensível que se sacrifique um troço da pouca muralha do séc.XIV que nos resta para "cravar" um suporte de estacionamento para bicicletas.