quarta-feira, 16 de abril de 2008

Recuperação em Brandara - Ponte de Lima

situação actual


proposta

plantas piso -1/ piso 0/ piso 1


Excerto da memória descritiva:

"A habitação, presentemente em estado de ruína, situa-se numa freguesia eminentemente
rural do concelho de Ponte de Lima. Nos últimos anos, a construção de um aterro consequente de um túnel de uma auto-estrada reduziu o terreno envolvente à ruína.
O programa proposto refere-se à recuperação da ruína dedicando-a ao turismo rural.
Não oferecendo a habitação muitos dados em relação aos seus elementos originais, devido ao elevado estado de degradação, o estudo da arquitectura vernácula da região levou-nos a sintetizar determinadas características comuns. As casas rurais do Alto Minho respondiam às necessidades dos agricultores com o piso térreo a servir de adega, espaço para o lagar, gado ou armazenamento das alfaias agrícolas. No piso superior situavam-se as dependências habitáveis como a sala, cozinha e quartos. Em alguns casos , o piso superior albergava também um espaço ventilado de armazenamento de milho. Isto acontecia através de uma fachada com um sistema ripado em madeira semelhante aos espigueiros. Esta situação acontecia originalmente nesta habitação em estudo. Infelizmente são raros os casos que chegaram aos nossos dias devido à sua fragilidade construtiva.
As necessidades actuais são outras assim como as exigências de conforto.
Optamos por direccionar a intervenção no sentido de recuperar toda a estrutura em pedra tal como ela chegou aos nossos dias e reconstituir a volumetria do edifício com a sua varanda e marquise originais assim como a reposição dos pilares de pedra que a sustentam. Evocamos assim as características tradicionais do edifício não nos comprometendo com a história. Na impossibilidade de recuperar todos as características originais, a intervenção terá pontualmente soluções construtivas mais contemporâneas mas que se relacionem harmoniosamente com o conjunto global. Desta forma assumimos a modernidade sem cairmos no erro de reconstituir os elementos falaciosamente. De uma forma geral o projecto privilegiará os materiais de construção tradicionais como a pedra a madeira e o ferro.
O acesso à casa poderá ser efectuado através de dois pontos. O primeiro, pela entrada original e o segundo pelo estacionamento a ser criado a norte da casa. Este último sugerirá um percurso através do alpendre que se abre para os lados norte e sul. Ambos os percursos levarão ao piso térreo da casa onde se localizará uma pequena recepção ao turista.
No piso térreo, para responder a um programa flexível e simultaneamente resolver o problema da escassez de área e de luminosidade, considerou-se relevante evidenciar, segundo novos propostos e novas soluções formais, a simplicidade das soluções espaciais, a fácil leitura das funções e interligação das áreas. Apesar deste espaço ser iluminado pelas aberturas originais como as duas portas existentes, achamos não ser suficiente para o espaço da cozinha. Desta forma, este espaço será ainda servido por uma clarabóia e uma janela do piso superior.
Este espaço único alberga também as comunicações verticais e a sala de jantar. No piso superior, três quartos e um escritório convertível noutro quarto são servidos por uma galeria/varanda com portadas duplas em ripas de madeira evocando a fachada original. Esta varanda tem acesso ao pátio exterior virado a sul através das escadas de pedra existentes.
A área no interior da ruína é escasso para o programa exigido. Optamos por anexar a sala de estar a um volume novo. Uma espécie de plataforma solo que compreende também a piscina e os balneários de apoio. É um volume com pouca presença acima do solo de forma a não perturbar a volumetria geral do volume antigo."


André Rocha

5 comentários:

Anónimo disse...

Acho interessante a associação que fizeste com a casa rural.. De alguma forma a estrutura me faz lembrar um espigueiro e ao mesmo tempo é muito "clean" e moderna.
De facto, uma boa opção para alguns segmentos do turismo ruraL.
Espero que o novo projecto esteja pronto!

~Di~

mmmim disse...

muito bonito! genial a analogia ao espigueiro e comovente a recuperação da varanda (sim, comovente porque a minha experiência com as varandas do Minho é ligeira mas sentida). belo toque ao chão.
parabens!

Claudette Guevara disse...

Por acaso também me parece muito bem o teu blog!

Já ia com alguma regularidade ao "a persistência do traço", mas como a actividade cessou... perdi contacto.

;)

Sofia Miranda disse...

Já conheço o projecto há algum tempo e tenho a dizer que acho fabulosa a recuperação que fizeste. As linhas são de um extremo bom gosto, e conferem uma mística especial a todo o espaço envolvente. Gosto em especial modo da forma como tudo se funde harmoniosamente e nos transmite uma tranquilidade plena entres as várias partes.
Muitos Parabéns André, ainda hei-de ter o prazer de fotografar esta obra de arte :)
Um beijinho,

Sofia M.

Anónimo disse...

Em primeiro lugar parabéns pelo projecto, que na nossa humilde opinião de estudantes de Arquitectura, está muito bem conseguido.

Fazendo parte do nosso actual exercício a recuperação de uma ruína, este projecto interessou-nos bastante, chamando-nos particulamente à atenção os renders.

Gostariamos de saber com que programas foi executado o projecto e trabalhos os renders, e nomeadamente como foi trabalhada a textura das paredes.

O nosso contacto:

sara36_677@hotmail.com

Desde já agradecemos a sua atenção.

Sara Rodrigues
Gil Simões