sábado, 14 de junho de 2008

Café





Ao vasculhar fotos de família encontrei esta lindíssima foto do princípio da década de 70 retratando a rua do Postigo com o extinto Café Guerra como remate. Contraponho uma foto actual. Para além das evidentes mudanças em todo o ambiente social, de uma certa vida em sociedade que fervilhava no seio do centro histórico, procurarei analisar algumas transformações urbanísticas.

A primeira situação refere-se à forma publicitária. Era vulgar, em meados do século passado, publicitar os estabelecimentos através da pintura no próprio reboco através de um lettering ao gosto da época (tal como acontece com o Restaurante Catrina no Passeio 25 de Abril). Assistimos na última década a alguma indiferença em relação ao "apagar” desta memória. Anteriormente a esta última remodelação, em meados dos anos 90, já o lettering havia sido coberto de tinta para passar a chamar-se “Café Snack-Bar Ideal” através de um anúncio luminoso procurando esconder qualquer memória que remetesse para uma tradição de tasca popular. Desta forma elogio a forma como aconteceu a remodelação do prédio da antiga “Casa Pimenta” no Largo da Matriz que conservou o lettering original apesar da permanência de uma outra actividade.

O outro aspecto que ressalta é a utilização de um diferente sistema de caixilharia e adição de guarda de ferro, através de portadas duplas de vidro único e não o sistema de guilhotina desvirtuando o desenho da fachada. Isto não seria gravoso se a Rua da Matriz e Rua do Postigo não fossem tão fortemente caracterizadas pela unidade no desenho varandas e no desenho de janelas em guilhotina em pequenas quadrículas de vidro.

1 comentário:

Claudette Guevara disse...

Exactamente: o desenho e sistema das caixilharias. Desvirtuado. E na rua a falata de passeios (diferenças de piso pelos menos) e a preferência pelas lajetas de granito em deterimento do paralelo granitico.