domingo, 1 de fevereiro de 2009

Arquitectura desaparecida em Ponte de Lima (II)





A Casa Grande da Além-da-Ponte em Arcozelo é um edifício do séc XIX. É constituído por três pisos; os dois primeiros de desenho sóbrio delineado com fenestrações regulares com janelas de guilhotina como a maioria do casario da época mas pontuado nos remates superiores por um frontão triangular e estatuária de gosto neo-clássico. O terceiro piso assume-se como um elemento mais leve e transparente. Organiza-se perpendicularmente à fachada e abre-se no sentido nascente-poente. O edifício vai tornando-se deste modo sucessivamente mais transparente e construtivamente leve em altura. Esta filosofia foi levada ao seu expoente no remate superior do edifício onde era pontuado por um miradouro/torre desenhado com uma caixilharia de trama quadrangular típica da época. Tudo indica que tenha sido a partir deste mesmo local que foi registada a célebre fotografia da vila num dia de feira de 1858. A escolha deste local deixa adivinhar a sua posição hegemónica, ou seja, era um ponto a partir do qual era possível obter uma panorâmica completa da vila mas era também consequentemente uma peça arquitectónica facilmente avistada a partir da vila. Era portanto uma peça que dominava o "skyline" do casario de Além-da-Ponte. Quem seguisse na ponte medieval para Arcozelo seria um pormenor que não passaria despercebido destacando-se dos restantes telhados. Para além deste facto, o Largo seria muito dignamente embelezado por esta casa que no seu estado original apresentava-se como um exemplo único no património edificado da vila. Justifica-se e é oportuna, num próximo restauro do edifício, a reposição deste elemento que o valorizaria exponencialmente.
bibliografia: Ponte de Lima - Uma Vila Histórica no Minho, p.270-272
Arquivo Municipal de Ponte de Lima 1981 vol.II, p.231-236

12 comentários:

numa disse...

Na altura este pormenor arquitectónico era criticado por alguns, por exemplo pelo conde d´Aurora...

André disse...

É irónico perceber como em determinadas épocas existe uma relação inversa com o património. A noção de gosto também era determinante. Infelizmente não consegui encontrar uma fotografia da casa vista da fachada principal com esse torreão porque tenho ideia de existir. Entretanto colmatarei essa falha.

Carlos Silva disse...

Repare como na foto antiga não existe o jardim (muro) em frente à casa da família Maia nem a casa onde até à pouco existia uma garagem de bicicletas e motorizadas

André disse...

Reparei nesse pormenor. Aquele muro baixo existente nessa rua continuaria então até à casa que faz a esquina do largo. É curioso porque a esse prédio onde se situa a loja a garagem de bicicletas tem um ar aparentemente contemporâneo das outras construções.

Anónimo disse...

Realmente parece ser uma construção que conseguiu imbuir-se no "espírito" arquitectónico existente no bairro.

Pedro V L disse...

Um Seu colega disse-me que tinha feito um projecto, a pedido do actual dono (Conde de Vitorino)para transformar a casa num Hotel de Charme.
Mas esta informação tem pelo menos 4 anos.
Parece-me que não passará do papel !(falta de oxigénio, tá a entender ?).
Lá tem o Estado/Autarquia que deitar a mão ao belo idificio !
Porque não converter para a Biblioteca Municipal ?

Anónimo disse...

Boa noite
A fotografia da fachada da casa, ainda com o mirante, está publicada no vol.II (1981), da revista "Arquivo de Ponte de Lima", na secção Ontem - Hoje.

André disse...

obrigado pela informação. Tinha ideia de ter visto num dos "Arquivos de Ponte de Lima" mas por muito que procurasse não consegui localizar novamente. Actualizarei em breve.

Anónimo disse...

Quem é o proprietário deste belo prédio???

numa disse...

novas fotos fantásticas... ainda não existia a "avenida" na Além da Ponte.

Onde encontrou essas fotos? Na revista "Arquivo de Ponte de Lima"?

André disse...

As fotos foram retiradas de uma série de publicações que existiu na década de 80 até 1993 julgo eu. No final de cada volume apresenta geralmente uma secção Ontem-Hoje bastante interessante, inclusivé com plantas elaboradas pelo eng. João Gomes d´Abreu. Estas em especial apresentam-se no volume apresentado na bibliografia.

DaLheGas disse...

André:
Como descendente dessa casa, venho agradecer o interesse do ponto de vista arquitectónico, a divulgação, mais-valia para todos os limianos, mas também os comentários, tão interessantes, dos leitores!
Obrigada