domingo, 1 de janeiro de 2012

2012

2011 caracterizou-se em Ponte de Lima por um ano aparentemente monocórdico onde os grandes protagonistas foram sobretudo as instituições de cariz cultural que, com o crescente papel do Teatro Diogo Bernardes, pretendem recuperar hábitos numa comunidade que esteve avessa à cultura durante décadas.

Associações que procuram trazer a Ponte de Lima exemplos, ainda que à nossa escala modesta, de uma determinada forma de fazer praticada noutras localidades. De destacar o papel da Susana Luciano e o seu grupo "Dupla Face" que com a sua capacidade dinamizadora e de tornar os seus sonhos em realidade conseguiu alguns dos feitos mais inéditos do ano destacando a curta-metragem "Rasgos de Solidão".

A associação Unhas do Diabo acabou de registar a marca "RUARTE- Teatro de Rua de Ponte de Lima" depois de um primeiro evento bem sucedido e com bastante margem de progressão nos que se seguirem.

A "Comunidade Artística Limiana- CAL" conseguiu manter o seu evento anual mais carismático "Mercado das Artes" com grande dificuldades e parcos recursos mas uma forte vontade e motivação de dar a Ponte de Lima mais um evento único na região.
Foram dois anos de vigorosas iniciativas de grupos de jovens que pretendem retribuir à comunidade aquilo no qual já não se reviam na política cultural e por outro lado, uma forma de se integraram de uma forma mais motivadora na sociedade. Obviamente, nem sempre esta atitude é facilmente assimilável pelos habitantes, no entanto a persistência é um valor essencial nesta prática.

De certa forma estas associações tem sido para muitos jovens limianos uma base de apoio à sua fixação na terra. Porém, isso não basta, e é com pena que vejo talentos limianos a serem obrigados a renegarem a sua terra quando poderiam ser uma mais-valia em diversas áreas num futuro próximo.


De referir outra grande instituição limiana, o Clube Náutico que tem sido uma "fábrica" de orgulho limiano e que teve em 2011 um ano de Ouro.

Leva-me a concluir que, tal como muitos municípios e sobretudo os que se perpetuam no poder, ficam demasiadamente blindados ao sangue novo e dinamizador da sua própria terra. Por ironia florescem personagens com o ego à prova de bala, bem acima do seu real valor e das suas competências.
O ano autárquico (em modo piloto-automático) ficou marcado sobretudo pelas recuperações levadas a cabo nos imóveis do Largo de Além da Ponte que irão criar uma centralidade de hospedagem interessante. O início das obras na antiga Casa da Câmara e Solar dos Barbosa Aranha. O concurso de ideias para a Sala de Espectáculos de Ponte de Lima resultou na escolha de um equipamento arquitectónicamente interessante do arquitecto Carvalho Araújo, mas de certa forma um vencedor adivinhável o que leva a questionar o valor real dos concursos de ideias em Ponte de Lima. É uma terra em que podemos admitir que nos últimos anos, em termos artísticos e de renovação dos equipamentos arquitectónicos, tem um escultor e um arquitecto que servem os desígnios do regime (e que apenas por ironia da sorte, têm qualidade).

A iniciativa Presidente Por Um Dia, um convite à cidadania vinda de políticos (e não de cidadãos) e que procurava mostrar a abertura da Câmara Municipal à intervenção dos limianos que se encontram alheados da vida pública ou preferem não intervir por alguma razão pessoal. A iniciativa parece ter sido um sucesso embora pouco frutuosa em termos de divulgação de resultados.

A crise do país e da Europa criará desafios aos jovens portugueses e limianos que acrescem aos já sentidos nos últimos anos. Ver novos mercados, trabalhar não só dentro da área em que se licenciou, ter ideias inovadoras e procurar a aceitação de 10% das pessoas contactadas será um objectivo.

Votos de um óptimo 2012 onde as dificuldades sejam uma oportunidade!

4 comentários:

R.Costa disse...

o arquitecto esqueceu de mencionar os livros publicados no ano de 2011... Alguns aq merecer referencia outros nem tanto.


R.Costa

Manuel Amorim disse...

De acordo. Se calhar o senhor arquitecto dedica-se ao desenho ,como lhe compete , e menos à leitura.

Manuel Amorim - Ribeira - Ponte de Lima

André Rocha disse...

Sem dúvida,muito ficou por dizer, até do extraordinário trabalho de Ovídio de Sousa Vieira no que diz respeito à promoção do Albergue de Peregrinos e o Caminho de Santiago ou até mesmo de limianos não radicados em Ponte de Lima e que foram premiados como Madalena Martins. Independentemente de ler a literatura local ou não, e perante blogues como o "Da minha Sebenta" de José Sousa Vieira ou o "Anunciador das Feiras Novas" de Alberto do Vale Loureiro que tão bem promovem e criticam as novas publicações (sem esquecer o blogue do prematuramente falecido Luis Dantas "Crítica Literária"), as minha competências perante estes autores serão sempre de uma grande humildade num blogue cujo nome é "arquitectura e ponte de lima".

MA disse...

Caro Arquitecto

A falar é que a gente se entende.
Fico esclarecido .


Cumprimentos,

MA